Segurança de barragens e inovação pautam abertura do Tailings Brazil 2026
Evento segue até a próxima quarta-feira (27), em Belo Horizonte.
Em um momento em que segurança, governança e inovação ocupam posição central nas discussões sobre o futuro da mineração, Belo Horizonte se tornou palco, nesta terça-feira (26), de um dos principais fóruns técnicos do setor. Organizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o Tailings Brazil 2026 reúne especialistas, autoridades públicas, representantes da indústria mineral e profissionais da área técnica para discutir avanços, desafios e soluções voltadas à gestão segura de rejeitos e estéreis da mineração.
A abertura do encontro teve a participação do presidente do Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (SINDIEXTRA) e diretor da Martins Lanna Mineração, Gustavo Rosa Lanna; do secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, Lyssandro Norton Siqueira; e do diretor-presidente do IBRAM, Pablo Cesário. Durante a solenidade, os participantes destacaram a importância do diálogo técnico, da inovação e da integração entre empresas, órgãos reguladores e especialistas para o fortalecimento da governança e da segurança das estruturas no setor mineral.
Avanços na segurança e gestão de rejeitos
Ao abrir o seminário, Pablo Cesário destacou que o Tailings Brazil se consolidou como o principal fórum nacional dedicado à gestão segura de estruturas de disposição de rejeitos. “Reunimos aqui engenheiros, gestores, reguladores e especialistas internacionais com um propósito compartilhado, o de elevar continuamente o padrão técnico e de governança da mineração brasileira. Neste fórum, a indústria reafirma seu compromisso com a segurança, com as boas práticas e expõe publicamente, com transparência, como atua no dia a dia operacional”, afirmou. Segundo ele, as empresas vêm investindo sistematicamente no aprimoramento da gestão das estruturas, incorporando sistemas de monitoramento que combinam dados de campo, alertas automatizados, modelagem tridimensional e análise preditiva para apoiar decisões preventivas e reforçar protocolos de segurança e gestão de risco.
Cesário também ressaltou os avanços obtidos nos últimos anos em relação à segurança de barragens de mineração no Brasil. “Hoje, das mais de 30 mil barragens cadastradas no país, 911 pertencem à mineração. Conseguimos reduzir em 18% o número de barragens em situação de alerta ou emergência em 2025, passando de 109 para 90 estruturas. Também houve redução das barragens com alteamento a montante, tecnologia já proibida no Brasil, que caiu de 52 para 45 estruturas no último ano”, destacou. Para ele, o compromisso com a segurança deve permanecer como prioridade absoluta do setor. “Esse precisa ser o nosso maior compromisso com os nossos funcionários e com as nossas comunidades”, completou.
Representando o setor mineral mineiro, Gustavo Rosa Lanna reforçou a relevância econômica e estratégica da mineração para Minas Gerais e para o país. “Falar de mineração é falar da essência e do futuro de Minas Gerais. Nosso setor está presente em mais de 500 municípios, gerando emprego, arrecadação, desenvolvimento social e oportunidades. Minas Gerais responde por quase 40% de todo o faturamento mineral do Brasil e hoje ocupa posição de protagonismo na transição para uma economia verde, com minerais estratégicos como lítio, nióbio e terras raras”, afirmou.
Lanna também destacou que segurança e sustentabilidade devem estar no centro das decisões do setor. “Após os episódios difíceis do passado, Minas Gerais respondeu com protagonismo e assumiu uma movimentação pioneira na mudança da regulamentação, proibindo o alteamento a montante e exigindo a descaracterização dessas estruturas. Segurança precisa estar na engenharia, nos investimentos e na relação de cada empresa com o território. Inovação e sustentabilidade não são agendas concorrentes, são complementares”, disse.
Já o secretário Lyssandro Norton Siqueira enfatizou a importância da parceria entre setor público, iniciativa privada e sociedade civil para o fortalecimento da segurança das barragens. “Se não tivermos um diálogo franco, honesto e leal entre o setor produtivo, o setor público e a sociedade civil, voltaremos a olhar para um passado que ainda nos assombra”, afirmou. O secretário também chamou atenção para a importância dos planos de ação emergencial para barragens de mineração e para a complexidade da sua implementação. “É um plano que envolve patrimônio histórico, fauna, saúde, segurança, recursos hídricos e defesa civil. Por isso, exige integração, responsabilidade e participação de todos os atores envolvidos”, destacou.
Ao longo dos dois dias de programação, o Tailings Brazil 2026 promoverá debates sobre evolução dos processos de licenciamento, requisitos técnicos voltados à ampliação da segurança, boas práticas em geotecnia e alinhamento aos mais elevados padrões internacionais. O seminário também abordará a atuação integrada entre engenheiros de registro, projetistas e grupos independentes de especialistas, reforçando a relevância da cooperação técnica para mitigação de riscos e desenvolvimento sustentável da mineração brasileira.
Patrocínio e apoio
O Tailings Brazil 2026 conta com o apoio de importantes instituições e empresas do setor mineral. Na categoria de patrocinadores, destacam-se a Ausenco do Brasil Engenharia, Geosinergia Brasil, Coletanche, Samarco, Kinross Brasil e Nexa Resources como patrocinadoras Bronze, além da Sidrasul Sistemas Hidráulicos, como patrocinadora de Painel.
O evento também reúne um amplo conjunto de entidades de apoio institucional, entre elas a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), a Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABIAPE), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), a Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (ABRACE Energia), a Associação Brasileira de Transmissão de Energia Elétrica (ABRATE), a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Geologia e Mineração (ABREMI), a Associação Comercial e Empresarial de Minas Gerais (ACMinas), a Agência Nacional de Mineração (ANM), a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo), a Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), a International Geosynthetics Society – Capítulo Brasileiro (IGS), o Mining Hub, o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Estado do Espírito Santo (SINDIROCHAS) e o Women in Mining Brasil (WIM Brasil), reforçando a representatividade e a relevância da iniciativa para o setor mineral.
Assessoria de Comunicação do IBRAM – Instituto Brasileiro de Mineração

Comentários