A potência da canção brasileira emociona o Festival do Patrimônio Cultural de Paracatu

 A potência da canção brasileira emociona o Festival do Patrimônio Cultural de Paracatu

Grande final do 21º Festival da Música Brasileira consagra compositores e intérpretes de todo o país, enquanto Sandra de Sá emociona o público em uma noite dedicada à força da MPB, da cultura e das tradições de Paracatu.

O quarto dia do 13º Festival do Patrimônio Cultural de Paracatu foi marcado por encontros memoráveis entre música, gastronomia, arte e tradição. No coração do Centro Histórico, milhares de pessoas ocuparam ruas, praças e largos para celebrar a diversidade da cultura brasileira em uma programação intensa, que teve como ponto alto a grande final do 21º Festival da Música Brasileira de Paracatu.

Mais do que uma competição, o festival reafirmou a Música Popular Brasileira como um patrimônio vivo do país. As composições finalistas revelaram a riqueza criativa de artistas de diferentes regiões, comprovando que a MPB continua pulsando em versos, melodias e interpretações capazes de emocionar, provocar reflexões e fortalecer a identidade cultural brasileira.

Cada apresentação levou o público a uma viagem por histórias, memórias e sentimentos. O palco tornou-se um espaço de encontro entre gerações, estilos e influências, reafirmando a força da canção autoral como uma das maiores expressões da cultura nacional. A plateia respondeu com aplausos calorosos, reconhecendo o talento de compositores e intérpretes que mantêm viva essa tradição.

Um dos momentos mais aguardados da noite foi o show de Sandra de Sá. Com sua presença de palco marcante e energia contagiante, a cantora fez o público cantar e dançar ao som de clássicos que atravessam gerações. Misturando soul, funk e MPB, apresentou um espetáculo vibrante, celebrando a força da música preta brasileira e transformando o Largo em um grande coro de emoção e alegria.

A programação também proporcionou experiências além da música. O tradicional Tour Gastronômico destacou as quitandas e os sabores que fazem parte da identidade de Paracatu, enquanto o Chef Show Mirim, promovido pelo Sebrae Minas, despertou nas crianças o interesse pela gastronomia e pela valorização dos ingredientes e da culinária regional.

No Coreto do Largo do Rosário, a exposição Rock no Coreto, organizada pelo movimento Noroeste Rock Minas em parceria com a Rádio F3Player, resgatou a memória do rock produzido na cidade por meio de fotografias e vídeos históricos. Já a roda de conversa “Muito Além do Palco: O Teatro e Suas Funções” promoveu reflexões sobre o papel transformador das artes cênicas e a importância dos profissionais que atuam nos bastidores da cultura.

O público infantil também encontrou espaço para a imaginação com o espetáculo “O Menino que Aprendeu a Imaginar”, do Grupo In-Cena de Teatro, de Teófilo Otoni. Ao entardecer, o pianista Farlley Derze emocionou os presentes com o concerto Solo de Piano ao Entardecer, transformando o pôr do sol do Centro Histórico em um cenário de delicadeza e contemplação. Antes da grande final, Thiago Lunar levou ao palco da ADESP o ritmo contagiante do forró e da música popular, colocando o público para dançar.

Premiação celebra a música autoral brasileira

Ao final da noite, a cerimônia de premiação coroou os vencedores da edição de 2026 do Festival da Música Brasileira, que distribuiu mais de R$ 40 mil entre compositores e intérpretes, além das premiações especiais de Melhor Música na Avaliação Popular, Melhor Letra e Melhor Intérprete.

Vencedores do 21º Festival da Música Brasileira de Paracatu

 

1º lugar
Nonada
Intérprete: Zebeto Corrêa
Compositores: Zebeto Corrêa e Jorge Fernando dos Santos
Taquaraçu (MG)

2º lugar
A(mar)
Intérprete e compositora: Pilar
Campo Grande (MS)

3º lugar
Último Adeus
Intérprete: Mariana Coelho
Compositor: Ademir Pedrosa
Macapá (AP)

4º lugar
Pássaro Noturno
Intérprete e compositor: Daniel Gnatali
Rio de Janeiro (RJ)

5º lugar
Solo
Intérprete e compositor: Calô
Goiânia (GO)

 

Melhor Música na Avaliação Popular
Solo – Calô
Goiânia (GO)

 

Ecossistema que meus olhos molham

Os lábios se abrem

PIos dente aparecer

Às vezes num sorriso alumiado

Mas de vez em quando

É pra te morder

É com o sistema que eu travo, a briga De uma vida ardida

A me desafiai

Tentando distrair as minhas asa

Mas no meio da ventania

E que eu vou voar

Sempre atrás de um recomeço

Não me esqueço de guardar

A lembrança da pisada

Num solo que eu já vi queimar

REFRÃO (2x)

A fúria é banta

Em tom de galhardia

Faz no silêncio

Um brado entoar

Sempre atrás de um recomeço

Não me esqueço de guardar

A lembrança da pisada

Num solo que eu já vi queimar

A letra de “Solo” emocionou o público ao transformar a imagem da terra queimada em símbolo de resistência, esperança e recomeço. Com versos que falam sobre enfrentar adversidades sem perder a capacidade de seguir em frente, a canção conquistou a plateia e recebeu o reconhecimento do público pelo voto popular.

Neste domingo (5), o Festival do Patrimônio Cultural de Paracatu chega ao seu último dia com uma programação que reúne música, gastronomia, história e manifestações populares. Entre os destaques estão o Café da Fidalga, o Trio Aquarela convida Paula Marra, o Dia Municipal do Pão de Queijo, com distribuição de 28 mil unidades, a tradicional Roda de Samba Mistura Brasileira e o aguardado show de Tiago Iorc, encerrando uma edição que ficará marcada pela celebração da cultura, da diversidade e da arte em todas as suas formas.

Paracatu reafirma, mais uma vez, sua vocação como cidade da cultura. Durante esses quatro dias, a música ecoou pelas ruas históricas, os sabores aproximaram pessoas, a arte ocupou os espaços públicos e a tradição dialogou com a contemporaneidade. Um festival que vai além dos espetáculos: preserva memórias, inspira novos talentos e fortalece o patrimônio cultural brasileiro.

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O Lábaro

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