Afeto e resistência ganham voz em noite memorável do Sempre Um Papo em Paracatu

 Afeto e resistência ganham voz em noite memorável do Sempre Um Papo em Paracatu

 

Encontro com Madu Costa e Luana Tolentino transformou a literatura em espaço de diálogo, pertencimento e reflexão sobre identidade, memória e educação antirracista

Na noite de ontem, terça-feira (17), a Biblioteca Municipal René Lepesqueur abriu espaço para um encontro que ultrapassou as fronteiras da literatura e alcançou questões urgentes da sociedade contemporânea. Promovido pelo projeto Sempre Um Papo – Paracatu, com patrocínio da Kinross, o evento reuniu as escritoras mineiras Madu Costa e Luana Tolentino em torno do tema “Histórias de Afeto e Resistência: a escrita de mulheres negras”.

Em tempos marcados por desafios sociais, intolerância e desigualdades persistentes, discutir afeto, memória, pertencimento e resistência torna-se mais do que um exercício intelectual: é um ato de humanidade. E foi justamente essa humanidade que permeou cada palavra compartilhada pelas autoras, que trouxeram ao público reflexões profundas sobre literatura, infância, educação antirracista e formação de leitores.

A partir de trajetórias distintas, mas conectadas por experiências de luta e construção de identidade, Madu Costa e Luana Tolentino mostraram como a escrita de mulheres negras ocupa um lugar fundamental na reconstrução de narrativas historicamente silenciadas. Suas vozes repercutiram como pontes entre passado e futuro, ancestralidade e transformação, revelando a literatura como espaço de acolhimento, reconhecimento e mudança.

Mais do que apresentar livros ou ideias, o encontro proporcionou uma experiência sensível de escuta e diálogo. Em uma sociedade frequentemente atravessada pela pressa e pela superficialidade, a palavra literária surgiu como convite à reflexão, à empatia e à compreensão do outro. Afinal, resistir também é cultivar afetos, preservar memórias e manter viva a esperança.

Realizado pela Associação Cultural Sempre Um Papo, por intermédio da Lei Rouanet, com apoio da Academia de Letras do Noroeste de Minas e da Prefeitura de Paracatu, o evento reafirmou a vocação da cidade para o fortalecimento da cultura e da literatura. Ao aproximar autores e leitores, o projeto transforma o livro em instrumento de encontro e a leitura em caminho para a cidadania.

A presença de Madu Costa e Luana Tolentino reforçou, ainda, o eixo curatorial desta temporada do Sempre Um Papo em Paracatu, que aposta no afeto, na empatia, na memória e na esperança como ferramentas concretas para construir diálogos e fortalecer laços comunitários.

Em uma cidade que se consolida cada vez mais como referência cultural, iniciativas como esta demonstram que a literatura segue cumprindo um papel essencial: iluminar caminhos, provocar reflexões e lembrar que, mesmo em dias difíceis, a palavra continua sendo um dos mais poderosos instrumentos de transformação.

A programação cultural segue em sintonia com o Fliparacatu – Festival Literário Internacional de Paracatu, que acontecerá entre os dias 26 e 30 de agosto de 2026, trazendo como tema “Ser Tão em Nós – O Meu Lugar no Mundo” e homenageando dois grandes nomes do pensamento brasileiro: Guimarães Rosa e Milton Santos.

Até lá, permanece a certeza deixada pelo encontro desta semana: quando a literatura encontra o afeto, a resistência ganha voz, a memória prospera e a esperança encontra morada.

 

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