Pequenos negócios impulsionam economia de Paracatu com avanço dos MEIs
O empreendedorismo vem consolidando um novo perfil da economia de Paracatu. O município já reúne 6.925 Microempreendedores Individuais (MEIs), número equivalente a 69,95 empreendedores para cada mil habitantes, ou cerca de 7% da população local, demonstrando a força da formalização dos pequenos negócios como instrumento de geração de renda, inclusão produtiva e desenvolvimento econômico. Os dados fazem parte do estudo elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG, com base em informações do Portal do Empreendedor e da Receita Federal.
A expansão do MEI acompanha uma tendência observada em todo o país. Criado em 2008 para incentivar a formalização de trabalhadores autônomos, o programa transformou o ambiente de negócios brasileiro e permitiu que milhões de empreendedores passassem a atuar dentro da economia formal, com acesso à previdência, emissão de notas fiscais e melhores condições para expandir suas atividades.
Para o economista da Fecomércio MG, Henrique Braga, os números de Paracatu revelam um ambiente favorável ao empreendedorismo.
“O crescimento do número de microempreendedores demonstra que Paracatu possui uma economia dinâmica e um ambiente propício para pequenos negócios. A formalização amplia oportunidades, fortalece o comércio e os serviços, gera renda e cria condições para que esses empreendedores tenham acesso a crédito, proteção previdenciária e novos mercados.”
Serviços lideram o empreendedorismo local
Assim como ocorre em Minas Gerais, o setor terciário domina o perfil econômico dos microempreendedores em Paracatu. Os serviços concentram 55,5% dos MEIs, enquanto o comércio responde por 21,7%, fazendo com que esses dois segmentos representem 77,2% de todos os empreendedores formalizados do município. A construção civil aparece com 11,4%, seguida pela indústria (10,2%) e agropecuária (1,3%).
Segundo Henrique Braga, essa distribuição evidencia o papel estratégico das atividades ligadas ao consumo cotidiano.
“Serviços e comércio possuem menor barreira de entrada e conseguem responder rapidamente às necessidades do mercado. Quando esses setores crescem, toda a economia local se beneficia, porque movimentam fornecedores, ampliam a circulação de renda e estimulam novos investimentos.”
Empreendedores em idade produtiva impulsionam a economia
O estudo mostra que o empreendedorismo em Paracatu é predominantemente formado por pessoas em plena idade produtiva. A maior concentração está entre 31 e 40 anos, faixa que reúne 29,42% dos registros. Em seguida aparecem os empreendedores entre 41 e 50 anos (22,61%) e aqueles entre 21 e 30 anos (22,01%). Juntas, essas faixas representam 74,04% dos microempreendedores do município.
O perfil também apresenta predominância masculina. Os homens representam 54,06% dos MEIs de Paracatu, enquanto as mulheres respondem por 45,94%, percentual que demonstra participação crescente do empreendedorismo feminino na economia local.
Para Braga, a distribuição etária confirma que o MEI vem sendo utilizado tanto como principal fonte de renda quanto como alternativa para ampliar oportunidades profissionais.
“A maior presença de empreendedores entre 21 e 50 anos mostra que o MEI deixou de ser apenas uma alternativa para quem estava na informalidade e passou a integrar estratégias de geração de renda, criação de empresas e desenvolvimento profissional.”
Negócios físicos ainda predominam
Apesar do crescimento das vendas digitais em todo o país, os empreendedores de Paracatu continuam priorizando o atendimento presencial. Os estabelecimentos fixos representam 36,48% das formas de atuação, enquanto 27,16% trabalham porta a porta, em postos móveis ou como ambulantes. A internet aparece como terceira principal modalidade, utilizada por 14,52% dos microempreendedores, seguida da atuação em local fixo fora da loja (14,05%).
Na avaliação do economista, o cenário demonstra que a digitalização avança, mas convive com modelos tradicionais de relacionamento com os consumidores.
“Os canais digitais ganham espaço, mas a presença física continua sendo fundamental para muitos pequenos negócios. A tendência é que os empreendedores combinem atendimento presencial e vendas online para ampliar o alcance de seus produtos e serviços.”
Capacitação e inovação serão determinantes para o crescimento
Embora os indicadores sejam positivos, o estudo aponta que a continuidade desse crescimento depende do fortalecimento de políticas voltadas à qualificação empresarial, educação financeira, acesso ao crédito e incentivo à inovação.
Para Henrique Braga, essas iniciativas são fundamentais para aumentar a competitividade dos pequenos negócios.
“O empreendedor formal precisa estar preparado para crescer. Capacitação, gestão financeira, inovação e acesso ao crédito são fatores decisivos para que esses negócios se tornem mais sustentáveis, gerem empregos e contribuam ainda mais para o desenvolvimento econômico de Paracatu.”
O levantamento conclui que o Microempreendedor Individual permanece como um dos principais instrumentos de formalização da economia brasileira e exerce papel estratégico na geração de renda, especialmente em municípios como Paracatu, onde o comércio e os serviços concentram a maior parte da atividade empreendedora.
Sobre a Fecomércio MG
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.
Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para as empresas e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.

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