QUILO DE SAL

 QUILO DE SAL

Dia após dia deparamos aqui e ali com dizeres criados e propagados pelas pessoas, alguns permanecem em nossas memórias vida a fora.   Outrora, num tempo em que as pessoas de mais idade eram mais valorizadas e respeitadas, era comum a meninada se deliciar ouvindo dos mais experientes os causos, assim, acabávamos por aprender e memorizar afirmações e dizeres que guardávamos para nós como “verdades quase absolutas”, eu, de tanto ouvir memorizei alguns, e, discorrerei hoje sobre um desses dizeres que para mim, aceito como pura verdade.   Já faz um bom tempo que observo o ser humano, e dentre os defeitos mais importantes que temos, quase todos nós afirmamos e damos mais valor nas “coisas dos outros”, ou seja, bom mesmo é o do vizinho.   Essas conclusões tiradas a toque de caixa, de forma rápida mesmo, nos levam a cometer erros de avaliação, nesse sentido, muitas vezes insatisfeitos com nossos próprios resultados, enxergamos superficialmente as situações dos VIZINHOS e em regra, entendemos que tudo DELE, vizinho, é ou está melhor que o nosso.   O carro, a casa, o emprego, a família, enfim, a vida DELE é melhor.   Chegamos ao cúmulo de concluir que a esposa ou marido dos vizinhos são muito melhores que os nossos, aí é mesmo “pra acabar com pequi de Goiás”.   Ah!   Os dizeres, né?   Sim, os dizeres.   Algumas das pessoas com quem tive contato ainda criança diziam e repetiam, quer conhecer alguém COMA COM ELA UM QUILO DE SAL, no final certamente, terá parâmetro para dizer que a conhece.   Ideia e juízo de valor estabelecidos de modo muito rápido quase sempre nos induz a erros, toda vez que quiser efetivamente conhecer algo ou alguém, há de se estender o contato, a convivência ou proximidade tem de ser duradoura e contínua, e repito, no caso de pessoas o casal terá de consumir ao menos um bendito QUILO DE SAL juntos, e não vale salgar a comida em demasia, o tempero tem de ser na medida certa.   De mais a mais, conhecer não é ato estático, até porque as coisas ou pessoas passam por transformações, assim o conhecer também há de ser renovado.   Finalizando, muitos de nós crentes de conhecermos, podemos estar diuturnamente em contato direto até mesmo com o inimigo.   Precaução e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Miguel Francisco do Sêrro – Advogado e Historiador.

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