Quando o abandono ocupa o espaço que poderia ser lazer
No Parque Municipal São Sebastião dos Olhos D’Água, no centro de Paracatu, a nascente dos Olhos D’Água sofre com o lixo e o perigo da dengue, revelando a urgência do cuidado coletivo e da participação cidadã.
No coração de Paracatu, onde o vai e vem do centro revela a alma da cidade, existe um espaço que carrega história, natureza e potencial de encontro: o Parque Municipal São Sebastião dos Olhos D’Água, onde brota a nascente dos Olhos D’Água. Um lugar bonito, daqueles que convidam à pausa, à conversa no fim da tarde, ao lazer simples que humaniza a vida urbana. No entanto, o que se vê hoje é o oposto do que ele promete.
Entre o concreto e o verde que resiste, acumulam-se marcas de desleixo, o descarte irregular de lixo e passarelas totalmente destruídas. O que deveria ser cenário de cuidado transforma-se em retrato de abandono. Garrafas jogadas ao chão, restos de materiais e danos ao patrimônio público ferem não apenas o espaço físico, mas também a simbologia de um parque que abriga uma nascente, fonte de vida, hoje cercada pelo descaso. É uma história silenciosa: a de um espaço esquecido por alguns e sofrido por todos.
Esse abandono não é apenas estético. Ele compromete a segurança, a saúde pública e o vínculo da população com o espaço urbano. Um parque degradado deixa de ser ponto de lazer e passa a ser território do desinteresse. Paracatu perde quando seus espaços comuns deixam de cumprir a função de acolher. Além disso, o lixo acumulado e a água parada nas áreas descuidadas podem se tornar criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, representando um risco direto à saúde da população.
Mas essa história pode, e deve, ser reescrita. Cuidar da cidade é um dever coletivo, e a denúncia é um ato de cidadania. A população pode e deve acionar os canais oficiais para relatar vandalismo e descarte irregular de lixo no Parque Municipal São Sebastião dos Olhos D’Água. A Ouvidoria Geral do Município recebe manifestações sobre limpeza urbana e conservação, seja pelo portal da Prefeitura, por telefone ou por e-mail. Em casos de flagrante, a Polícia Militar deve ser acionada imediatamente pelo 190. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente também tem papel fundamental na fiscalização e proteção da nascente dos Olhos D’Água.
Registrar a situação com fotos ou vídeos, quando possível e de forma segura, além de informar com precisão o local e a frequência do problema, fortalece a denúncia e acelera as providências.
Uma cidade se constrói nos detalhes: no banco preservado da praça, no chão limpo, na água que brota protegida. Paracatu merece espaços vivos, cuidados e ocupados com dignidade. Transformar o Parque Municipal São Sebastião dos Olhos D’Água em um verdadeiro lugar de lazer e contemplação começa com um gesto simples, mas poderoso: não se calar diante do abandono.
Cuidar do patrimônio público é cuidar da nossa própria história. E cada denúncia faz diferença.
Mais do que paisagem, as áreas verdes cumprem um papel vital no cotidiano urbano. Elas melhoram a qualidade do ar, ajudam a reduzir as ilhas de calor, conservam a biodiversidade e oferecem espaços de lazer, bem-estar e respiro para a população. Quando essas áreas abrigam nascentes, como os Olhos D’Água, sua preservação torna-se ainda mais urgente.
Manutenção regular, participação comunitária, planejamento urbano sustentável e ações de conscientização são caminhos possíveis e necessários. Governos municipais, em parceria com a população, têm papel decisivo na criação e implementação de políticas públicas que protejam, recuperem e valorizem esses espaços.
Porque uma cidade que cuida de suas nascentes cuida do seu futuro. E Paracatu merece que seus Olhos D’Água continuem a correr limpos, vivos e respeitados.
Como lembra a bióloga, escritora, cientista e ecologista Rachel Carson, “aqueles que contemplam a beleza da Terra encontram reservas de força que durarão enquanto a vida durar”. Preservar o Parque Municipal São Sebastião dos Olhos D’Água é, acima de tudo, preservar a vida, a memória e o futuro da cidade.
















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