O Sino que ressoa uma vida inteira
Aos 101 anos, Ildeu Novaes Pinto celebra o lançamento de sua biografia e reúne familiares, amigos e admiradores para revisitar uma trajetória marcada pelo trabalho, pela fé e pelo amor a Paracatu
Na manhã deste sábado, 20 de junho, a emoção tomou conta da Casa de Cultura de Paracatu. Entre abraços, homenagens e memórias, familiares, amigos e admiradores se reuniram para celebrar uma história que há muito tempo merecia ser contada em livro: a vida de Ildeu Novaes Pinto.
A obra O Sino na Sina de Ildeu Novaes, escrita por sua filha, a professora Selene Novaes Pinto, apresenta ao público a trajetória de um homem que transformou trabalho em missão, simplicidade em exemplo e dedicação em legado.
Todos os que convivem com Ildeu sabem que sua vida daria um livro. Talvez vários. Afinal, sua história é feita de movimento, coragem e disposição. Desde menino, quando insistia em fazer funcionar o caminhão do pai ainda aos sete anos de idade, até os dias atuais, aos 101 anos, ele segue fiel à sua essência: ver algo por fazer e assumir a responsabilidade de fazê-lo.
Foi assim na luta contra as endemias, quando se tornou referência regional. Foi assim na política, movido pelo desejo de contribuir ainda mais com sua comunidade. Foi assim com os sinos das igrejas de Paracatu, que voltaram a ecoar graças às suas mãos dedicadas. É assim na fazenda da família, construindo porteiras, consertando cercas e cuidando do que precisa ser feito. E continua sendo assim no ateliê da filha Cláudia, onde restaura imagens sacras com a mesma paciência e carinho que sempre dedicou à vida.
Seu segredo para a longevidade é simples e direto. Quando perguntado sobre a receita para alcançar os 101 anos, responde sem hesitar: “Trabalhe”.
A cerimônia de lançamento contou com a presença da diretora-presidente da Fundação Municipal Casa de Cultura, Vera Lemos, o secretário municipal de Turismo, Igor Diniz representando o prefeito Pedro Adjuto. Ao lado deles, a autora Selene Novaes Pinto dividiu as atenções com o grande homenageado da manhã, protagonista de uma das mais belas histórias vividas por Paracatu.
Um dos momentos mais emocionantes da solenidade foi a entrega do primeiro exemplar do livro por Selene ao pai. Mais do que um gesto simbólico, foi um encontro entre gerações, entre memória e gratidão. Nas mãos de Ildeu, o livro tornou-se o retrato de uma vida inteira dedicada à família, ao trabalho e à comunidade.
Em seguida, Ildeu entregou um exemplar da obra ao secretário Igor Diniz para integrar o acervo da Biblioteca Municipal, em um gesto de agradecimento aos moradores de Paracatu, cidade que o acolheu, admirou e acompanhou sua caminhada ao longo de mais de um século.
As homenagens continuaram emocionando o público. O neto Tobias falou em nome de todos os netos e netas, destacando o exemplo de caráter, dedicação e amor deixado pelo avô. Em seguida, o pequeno Arthur homenageou o bisavô em nome de todos os bisnetos. Em sua singeleza, representou o elo entre o passado e o futuro de uma família cuja história segue viva nas novas gerações.
A diretora-presidente da Fundação Municipal Casa de Cultura, Vera Lemos, também dirigiu sua saudação ao homenageado, ressaltando a importância de sua trajetória para a memória e a identidade cultural de Paracatu.
Ao final, o público foi convidado a ouvir aquele que é o centro de toda essa narrativa: o pai, o avô, o bisavô, o motorista, o servidor público, o restaurador de imagens sacras e o sineiro de Paracatu. Um homem que atravessou mais de um século sem perder a disposição para seguir construindo caminhos.
Em suas palavras, Ildeu agradeceu o carinho recebido e compartilhou lembranças de uma vida marcada pelo trabalho, pela fé e pelo compromisso com a família e com a comunidade.
Encerrando a celebração, a sessão de autógrafos reuniu leitores, amigos e admiradores em torno da autora e do homenageado, em uma manhã marcada pela emoção, pelas lembranças e por um agradável café servido na Casa de Cultura.
Assim como os sinos que durante tantos anos tocou para chamar o povo à fé, a história de Ildeu Novaes Pinto continua ecoando. Agora, também nas páginas de um livro que preserva sua memória e convida os leitores a embarcar na extraordinária viagem de 101 anos de uma vida em constante movimento.







































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