O MESTRE

 O MESTRE

Caminha lentamente, porém, sem cambalear, os pés parecem plantados no chão, o olhar às vezes fixo observa atentamente, em outras ocasiões enxerga mais de um ponto de forma simultânea.   Indica ou aponta rumos, acolhe pessoas em estado de sofrimento, afaga, dá a mão, escuta vozes em choro, orienta, se entristece sem derramar uma lágrima.   Fala pouco e acaba dizendo muito, gera alegria e provoca sorrisos, no entanto, raramente sorri.   O semblante calmo denuncia um ser de bondade, mas também é duro em cobrar até o limite da medida certa, ensina aprendendo, ministra aulas em todos os sentidos sem, contudo, se considerar professor.   Não se define em termos de gênero, para aquela pessoa, tanto faz, abraça a gregos e troianos, é praticamente uma unanimidade ninguém o odeia, pouca escolaridade, mas quando surge na parte alta da rua principal alguém diz com respeito.   – Lá vem o MESTRE!   Nunca pisou numa academia e é quase um doutor, tamanha é sua sabedoria.   E outro mais afirma.   –Olha quem vem lá, o MESTRE!   Entende de química, física e é especialista no trato com cálculos, olha para o céu e diz com precisão a previsão climática dos próximos dias.   Entende de filosofia e psicologia, respeita todas as religiões, conhece muito das ciências humanas.   É influente, mas dessa não faz uso, se quisesse arrastaria multidões, por onde passa é extremamente respeitado, não ergue um dedo para chamar atenção, assim mesmo, pela sua forma de agir e tratar as coisas, muitos o seguem.   Outro curioso observando pergunta:   – Por que ele é assim?   Como ninguém responde arrisco dizendo:   – Não se sabe, melhor esquecermos os porquês, o que importa e que o MESTRE é o MESTRE!

Miguel Francisco do Sêrro – Historiador/Advogado

Uma homenagem às pessoas que ensinam por e com amor

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