Fliparacatu 2026 transforma o sertão em palavra, memória e travessia

 Fliparacatu 2026 transforma o sertão em palavra, memória e travessia

 

No sábado (29), festival reuniu escritores, jornalistas, artistas e estudantes em uma programação que celebrou a literatura, os diferentes lugares do mundo e os 70 anos de Grande Sertão: Veredas

O sertão, mais uma vez, encontrou morada nas palavras. Na noite deste sábado (29), o 4º Festival Literário Internacional de Paracatu – Fliparacatu chegou a mais um momento de intensa celebração da literatura, reunindo importantes nomes da escrita, do jornalismo, das artes e do pensamento em diferentes espaços do Centro Histórico de Paracatu.

Com o tema “Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo”, o festival propõs, nesta edição, uma travessia por dentro e por fora de cada pessoa. A inspiração parte dos 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, e do centenário de nascimento do geógrafo Milton Santos, dois nomes fundamentais para compreender o Brasil, seus territórios, suas identidades e suas muitas formas de existir.

Durante o sábado, a literatura ocupou auditórios, praças e quintais, aproximando leitores de diferentes gerações e transformando o Centro Histórico em território de encontros. Em cada espaço, uma conversa, uma oficina, uma música ou uma história ajudava a construir o grande mosaico de vozes que caracteriza o Fliparacatu.

Palavras que nascem na escola

Um dos momentos especiais do dia foi a cerimônia do Prêmio de Redação e Desenho, realizada no Auditório do Fliparacatu. A iniciativa reuniu estudantes e professores das redes pública e privada e do EJA de Paracatu que participaram da edição de 2026.

Inspirados pelo tema “Meu Lugar no Mundo”, os trabalhos premiados revelaram diferentes maneiras de olhar para identidade e território. Pelas mãos e pelas palavras dos estudantes, o sertão ganhou novos contornos e mostrou que pertencer também é uma forma de contar histórias.

Rosa encontra a música

A homenagem a Guimarães Rosa ganhou ainda mais força com o “Sábado Musical de Rosa”, realizado no quintal da Casa Paracatu. O encontro reuniu a tradição musical da Banda Lyra Paracatuense, a presença de Celso Adolfo e a aula-espetáculo “Travessia Roseana”, com Titane e Makely Ka.

Foi uma noite em que a palavra roseana encontrou a música, fazendo do quintal um lugar de memória, beleza e celebração. Afinal, em Rosa, o sertão nunca é apenas paisagem: é caminho, é gente, é silêncio, é conflito, é invenção e é travessia.

O sertão que também mora dentro da gente      

Na programação regional, a Estação Literária da Praça recebeu, durante a tarde, a oficina “O Sertão é Dentro da Gente!”, conduzida pelo Grupo Matizes Dumont. A atividade ampliou a proposta central desta edição ao aproximar literatura, arte e pertencimento, lembrando que o território não está somente no mapa, ele também habita a memória e a imaginação de cada pessoa.

Literatura, identidade e os muitos lugares do mundo

No Auditório do Fliparacatu, a programação nacional atravessou o dia com encontros que colocaram em diálogo diferentes vozes e perspectivas.

Estevão Ribeiro e Geni Núñez participaram da mesa “Literatura e seus estados”. Na sequência, Alê Santos e Sandra Menezes discutiram “Afrofuturismo e os Imaginários da Ficção”, enquanto Paulo Scott e Jeovanna Vieira abordaram identidade, preconceito e invisibilidades em “Literatura e o jogo da aparência”.

Durante a tarde, Beatriz Bracher e Jamil Chade participaram de “Passados Presentes”. Depois, Paulliny Tort e Sérgio Abranches se encontraram para discutir a “Ficção especulativa entre o passado e o futuro”.

À noite, Nina Santos e Alê Santos estiveram em “O Lugar no Mundo”. Em seguida, Bruna Lombardi e Alexandre Coimbra Amaral conduziram “O Encontro na Literatura”.  O Cristóvão Tezza e Eliana Alves Cruz participaram de “Ficção e Realidade”, ampliando o diálogo entre aquilo que a literatura inventa e aquilo que a vida insiste em revelar.

A travessia continua

E foi com a casa cheia que o Fliparacatu encerrou a programação nacional da noite com um de seus encontros mais aguardados desta edição: “Grande Sertão: Veredas – 70 anos: A Travessia Continua”.

A mesa reuniu o escritor Mia Couto e a jornalista Míriam Leitão, com mediação do jornalista Jamil Chade, em uma celebração dos setenta anos de uma das obras mais importantes da literatura brasileira.

O encontro foi também uma oportunidade para revisitar a força e a permanência da linguagem de Guimarães Rosa e refletir sobre o sertão como metáfora da própria condição humana. Literatura, jornalismo e pensamento se encontraram diante de uma obra que, sete décadas depois, continua abrindo caminhos e fazendo perguntas.

Porque a travessia de Riobaldo não terminou nas páginas do livro. Ela permanece nas vozes que o leem, nas perguntas que desperta e nos caminhos que cada geração encontra para interpretar o Brasil.

E assim, entre palavras, músicas, livros, estudantes, escritores e leitores, Paracatu segue vivendo o Fliparacatu, uma festa em que o sertão não é apenas cenário, mas presença. Um lugar que se reconhece na literatura e que, ao ser contado, também passa a contar um pouco de nós.

Toda a programação do festival contou com tradução simultânea em Libras e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube do Fliparacatu, ampliando o alcance dos encontros e levando as vozes do festival para além das ruas de Paracatu.

O 4º Fliparacatu é apresentado pela Kinross, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com patrocínio da Caixa e apoio cultural da Prefeitura de Paracatu, da Academia de Letras do Noroeste de Minas e do Sebrae. A idealização e a presidência são de Afonso Borges, com curadoria nacional de Sérgio Abranches e Calila das Mercês, curadoria de atividades locais de Daniela Prado e curadoria infantojuvenil de Rafael Nolli.

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O Lábaro

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