Cirurgia inédita em Minas é realizada no Hospital Unimed em Passos

Foto: Equipe envolvida na cirurgia posa com o modelo híbrido e o molde em 3D do crânio da criança

Procedimento trouxe como inovação o uso de uma simulação ultrarrealista, envolvendo realidade aumentada , modelo híbrido e molde em 3D do crânio da paciente.

O Hospital Unimed em Passos realizou uma cirurgia inédita em Minas Gerais: uma operação de cranioestenose, popularmente conhecida como “fechamento precoce da moleira”, que causa restrição no crescimento cerebral do bebê. A operação foi realizada em uma criança de 10 meses, cuja família é residente em Paracatu/MG. A novidade do procedimento foi a confecção de um biomodelo em 3D do crânio da criança , baseado em exames de imagem prévios detalhados, com o objetivo de simular o procedimento antes da cirurgia, além do uso de um sistema de realidade aumentada em celular com imagens do crânio da paciente, que permitiram o treinamento prévio da equipe envolvida e um modelo físico híbrido, com o qual foi treinado cada passo da cirurgia. O treinamento aconteceu no laboratório de habilidades cirúrgicas da Faculdade Atenas em Passos onde foi realizado um encontro de todos os membros da equipe. Foi realizado um simpósio sobre tema teórico e posteriormente planejamento e prática do biomodelo realístico, integrando e alinhando equipe através de educação continuada. Desta forma, foi possível verificar todas as nuances, reconstruções, utilização de materiais, bem como antecipação de possíveis complicações já no treinamento.
A operação foi realizada no dia 14 de agosto e durou 14 horas. O procedimento foi conduzido  pelos neurocirurgiões Nícollas Nunes Rabelo e Marcos Antônio de Oliveira e contou também com os cirurgiões plásticos Diogo Almeida Lima e Juliano Cândido Batista, além do anestesiologista Renato Piantino e os pediatras André Luiz Silva, Elaine Felca Beirigo Giannini e Helder Augusto Martins Garcia, além da enfermeira Fernanda Carvalho e das técnicas de enfermagem Roseane Machado, Tatiana Nogueira e Kellen Silva, da equipe do Hospital  Unimed. A cirurgia contou com a participação da neurocirurgiã pediátrica e diretora científica do EducSim,Giselle Coelho, de São Paulo, criadora da técnica. Em 2015, Gisele foi premiada internacionalmente, na categoria “Jovem Neurocirurgião” pela Federação Mundial de Sociedades de Neurocirurgia (WFNS, sigla em inglês) devido à criação do simulador ultrarrealista. Outros profissionais também estiveram envolvidos na cirurgia, como o cirurgião plástico Maurício Yoshida e o anestesiologista Emílio Carlos Del Massa que, assim como Giselle, fazem parte da equipe do Hospital Santa Marcelina, em São Paulo. A paciente saiu do leito de alto risco do Hospital Unimed no domingo e deve receber alta na quinta-feira, dia 20.
O treinamento da equipe foi realizado no dia 13, na Faculdade Atenas em Passos.  “Esta simulação da cirurgia reuniu impressão 3D, realidade aumentada e o modelo híbrido. Somados, nós temos um resultado muito bom e é possível definir, previamente, diversas condutas para utilização no caso da paciente, pois o modelo é personalizado. A utilização destas técnicas nos permite prever complicações, alterar acessos de acordo com a anatomia da paciente e o mais importante: economizar tempo na cirurgia real. Isto leva a um tempo reduzido de anestesia, menor volume de transfusão sanguínea, diminuindo a probabilidade de complicações”, detalha a neurocirurgiã pediátrica, Giselle Coelho.
O neurocirurgião Nícollas Nunes Rabelo explica que a cranioestenose não permite o crescimento da cabeça da criança, o que pode ocasionar uma série de complicações, inclusive malformações na face, como foi o caso da criança que foi operada. “No caso desta bebê, a cirurgia envolveu a reconstrução complexa de estruturas muito delicadas, por isso tratou-se de um procedimento que necessitou muito cuidado e cautela. Com essa técnica, em que é possível fazer a simulação previamente à cirurgia, temos mais segurança para correção de malformações infantis em Neurocirurgia. Passos reforça o conceito de referência no tratamento destas doenças, trazendo pacientes da região e de todo o país”.

Crescimento educacional

Para Nícollas Nunes Rabelo, além do ineditismo do uso da técnica no estado, o uso deste biomodelo poderá proporcionar um crescimento na área acadêmica. “Do ponto de vista educacional, isto tem um ganho enorme. Nós que trabalhamos com os alunos, poderemos difundir esta técnica, proporcionando que os estudantes possam ter acesso ao biomodelo criado com as exatas medidas da cabeça. Isto permite um estudo aprofundado da anatomia, personalizado de acordo com as características da paciente e fundamentos da técnica cirúrgica”, detalha.
O CEO da American Society of Anatomy, de Harvard- Boston, Mike Wolf, esteve presente durante o treinamento para um intercâmbio de conhecimentos que permita que a técnica utilizada nesta cirurgia possa, futuramente, auxiliar laboratórios nos Estados Unidos. “Trata-se de uma técnica muito nova, que está sendo conduzida por uma equipe brilhante. Foi muito interessante ver como a equipe consegue investir o tempo de simulação da cirurgia revertendo os resultados em bem-estar do paciente, decidindo previamente o passo a passo e todos os instrumentais a serem utilizados, discutir o que será ou não feito durante a cirurgia. Afinal, estamos falando da vida humana e são grandes os riscos envolvidos neste tipo de procedimento. Quando há esta oportunidade de se prever o que poderá acontecer é maravilhoso”.

Investimento

Cooperado da Unimed Sudoeste de Minas, o cirurgião plástico Diogo Almeida Lima aprovou a utilização do simulador ultrarrealista e o treinamento da equipe envolvida. “ O treinamento foi fantástico porque é um modelo muito próximo da estrutura anatômica da paciente. Ficamos muito felizes pela oportunidade de participar deste momento histórico para a instituição, pois trata-se de uma cirurgia com utilização de uma técnica disponível apenas em grandes centros e que conseguimos trazer para o interior de Minas através do investimento em tecnologia que o Hospital Unimed tem realizado nos últimos meses”.

Gratidão

A mãe da bebê contou que, já no nascimento, foi constatado um possível problema de saúde, já que a criança apresentava um afundamento acima da região de um dos olhos. A mãe passou por diversos especialistas em busca do tratamento para a filha até ter contato com os neurocirurgiões Nícollas Rabelo na cidade de Paracatu-MG. Emocionada, ela relata que vivenciou um misto de emoções durante todo o processo, mas sempre mantendo a fé de que tudo daria certo ao final. “Ao mesmo tempo em que eu sentia medo, com receio de estar ou não fazendo a escolha certa, também senti muita confiança por parte do doutor Nícollas, o que me ajudou a ficar mais tranquila. Toda a equipe no Hospital Unimed me acolheu de forma maravilhosa. Todo mundo abraçou a causa da minha filha, muitos funcionários que vieram e me disseram que estavam rezando por ela. Só posso sentir alívio e gratidão neste momento”.

 

 Contato Assessoria de Comunicação Hospital Unimed

Priscila Borges

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