Caged: Minas Gerais cria 38,8 mil empregos formais em março e registra segunda maior geração de vagas do país
05-06-2014 – São Paulo – O MPT-RJ (Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro) entrou com ação civil pública pedindo que todos os selecionados para o programa de trabalho voluntário da Fifa para a Copa do Mundo sejam contratados com carteira de trabalho assinada. Foto Rafael Neddermeyer/ Fotos Publicas
Contratações no estado avançam 59,74% em relação à fevereiro; serviços e agropecuária puxam crescimento
Minas Gerais fechou março de 2026 com a criação de 38.845 empregos com carteira assinada, o segundo maior saldo do país, atrás apenas de São Paulo. O levantamento, realizado pelo Sebrae Minas, a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostra uma aceleração nas contratações em relação à fevereiro: avanço de 59,74% em apenas um mês. O número representa, também, um salto de 111% em relação à março de 2025, quando o estado registrou 18.405 vagas formais.
As micro e pequenas empresas (MPE) foram responsáveis por 52,86% desse saldo (+20.535), demonstrando a agilidade dos pequenos negócios em capturar a melhora sazonal do consumo no período. As médias e grandes empresas (MGE) adicionaram 17.884 postos (46,04%) e a administração pública somou 427 vagas (1,10%).
O desempenho foi puxado, principalmente, pelo setor de serviços, em um cenário de retomada mais forte do mercado de trabalho mineiro. O setor respondeu por 17,5 mil vagas em março, cerca de 45% de todo o saldo do estado. A principal atividade responsável pelo avanço foi gestão de recursos humanos para terceiros, com mais de 3.240 postos criados.
A agropecuária viveu um dos meses mais fortes do ano, com 9.783 empregos gerados, impulsionada por culturas estratégicas para Minas Gerais. O cultivo de alho criou 1,8 mil vagas, enquanto a produção de sementes, horticultura e café também tiveram forte desempenho. O resultado reforça a força do agronegócio mineiro, em meio à expectativa de safra recorde no país, consolidando o estado como o principal vetor de empregabilidade no campo e em toda a cadeia de suprimentos vinculada.
Indústria e Construção Civil também apresentaram desempenhos positivos. Na Construção Civil (+3.849), o papel das obras de infraestrutura foi fundamental, com destaque para a construção de rodovias e ferrovias (+1.305). Na Indústria (+3.492), a produção física começou a responder aos novos pedidos e à estabilização de custos de insumos, apesar da volatilidade internacional. O setor de Comércio, apresentou uma forte recuperação em março, fechando com saldo de +3.767 postos.
Pequenos negócios lideram, mas ritmo diminui
As MPE foram responsáveis por 20.535 empregos em março. Mesmo com protagonismo, os dados mostram mudança importante no mercado de trabalho em 2026, em que empresas médias e grandes ganharam participação nas contratações, enquanto os pequenos negócios perderam espaço no acumulado do ano.
Esse movimento está ligado ao ambiente de juros restritivos, encarecimento das linhas de financiamento e maior cautela do consumo, fatores que costumam impactar os pequenos empreendimentos.
Perfil de contratações
Os jovens continuam sendo o principal grupo de ingresso no mercado de trabalho formal mineiro. Entre as admissões feitas pelas micro e pequenas empresas, 45,5% foram de pessoas entre 18 e 24 anos; 66,8% possuem ensino médio completo; e homens responderam pela maior parte do saldo de vagas em março.
O salário médio de admissão foi de R$ 2.106,00, abaixo do valor médio de desligamento (R$ 2.147,70), uma diferença de – R$ 41,70. Esse diferencial negativo acompanha a tendência observada no cenário nacional, onde as admissões (R$ 2.225,39) e os desligamentos (R$ 2.294,68) também apresentam uma diferença remuneratória, embora em patamares de valores nominais superiores aos de Minas Gerais.
O que esperar da economia nos próximos meses
“Para 2026, o cenário-base de crescimento moderado enfrenta novos desafios, com o mercado monitorando os desdobramentos das incertezas no cenário doméstico. Quanto ao cenário de juros, apesar das sinalizações de flexibilização da política monetária, a persistência da inflação e o aumento das incertezas externas impuseram maior cautela ao Banco Central. Em Minas Gerais, o mercado de trabalho formal encerrou o primeiro trimestre com sinais de vigor. Mas, mesmo com resultado robusto em março, a seletividade deve aumentar nos próximos meses. O setor varejista e os segmentos dependentes de crédito direto ao consumidor continuam sensíveis à manutenção da Selic em patamares restritivos, exigindo monitoramento constante sobre os níveis de inadimplência das famílias e o poder de compra real da população mineira”, avalia a analista do Sebrae Minas Bárbara Castro.
Sobre o Caged
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), instituído pela Lei nº 4.923, de 23 de dezembro de 1965, foi criado como instrumento de acompanhamento e fiscalização mensal das admissões e dispensas de trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A partir de 1986 passou a ser utilizado como suporte ao pagamento do seguro-desemprego e, mais recentemente, tornou-se um relevante instrumento à reciclagem profissional e à recolocação do trabalhador no mercado de trabalho.
O cadastro constitui importante fonte de informação do mercado de trabalho de âmbito nacional e de periodicidade mensal. Desde janeiro de 2020, o uso do Sistema do CAGED foi substituído gradativamente pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial). Atualmente, todas as empresas estão obrigadas a declarar as movimentações por meio do eSocial.
Sobre Inteligência Sebrae
O Inteligência Sebrae é um observatório de dados, estudos e pesquisas sobre pequenos negócios. Reúne diversos conteúdos socioeconômicos, setoriais e territoriais, que podem ampliar os conhecimentos e embasar a tomada de decisões. É destinado a gestores públicos, lideranças locais, entidades empresariais e todos que necessitam de informações relevantes referentes a desenvolvimento econômico e social dos territórios e dinâmica dos pequenos negócios. O site reúne conhecimentos em nível nacional, estadual, regional e municipal, sendo possível comparar, analisar e entender melhor o território.

Comentários