Literatura que aproxima continentes e desperta memórias

 Literatura que aproxima continentes e desperta memórias

Público atento e participativo marcou a noite de reflexões e partilha com o escritor angolano José Eduardo Agualusa em Paracatu

A Biblioteca Municipal René Lepesqueur recebeu, na noite desta segunda-feira, 18 de maio, mais uma edição do projeto “Sempre um Papo”, que trouxe a Paracatu o jornalista e escritor angolano José Eduardo Agualusa, em um encontro mediado por Afonso Borges.

Com um público atento, participativo e profundamente envolvido nas discussões, a noite foi marcada pela troca de experiências, reflexões e pela valorização da literatura como instrumento de aproximação entre culturas e povos. Durante o bate-papo, Agualusa destacou importantes conexões históricas e culturais entre Brasil, África e Angola, abordando as relações construídas entre os países ao longo do tempo e a força da língua portuguesa como território comum de memória e identidade.

Com patrocínio da Kinross, o projeto “Sempre um Papo – Paracatu” trouxe ao Brasil o escritor angolano para o debate e lançamento de seu mais recente livro, Tudo Sobre Deus (TusQuets/Planeta), seguido de perguntas e sessão de autógrafos.

O evento é realizado pela Associação Cultural Sempre um Papo, por intermédio da Lei Rouanet, e conta com o apoio da Academia de Letras do Noroeste de Minas e da Prefeitura Municipal de Paracatu.

A atividade integra a terceira temporada do Sempre um Papo na cidade, consolidando uma nova etapa do projeto: mais do que encontros literários, experiências de escuta, reflexão e partilha. Em 2026, cada edição se conecta à seguinte, criando continuidade e aprofundamento em uma programação que transforma a literatura em vivência.

José Eduardo Agualusa

Nascido em Huambo, Angola, em 13 de dezembro de 1960, José Eduardo Agualusa é escritor e jornalista, reconhecido como um dos nomes mais relevantes da literatura contemporânea em língua portuguesa. Formado em Agronomia em Lisboa, dedicou-se ao jornalismo e à literatura, construindo uma obra marcada pelo diálogo entre história e ficção, com atenção especial à memória, à identidade e aos efeitos do colonialismo e da independência em Angola.

Autor de romances como O Vendedor de Passados e Teoria Geral do Esquecimento, teve seus livros traduzidos para dezenas de idiomas e recebeu importantes prêmios internacionais, entre eles o International Dublin Literary Award. Sua trajetória literária possui forte dimensão transnacional, ligada ao universo da língua portuguesa.

Ao longo da carreira, publicou obras como A Conjura (1989), Estação das Chuvas (1996), Nação Crioula (1997), Um Estranho em Goa (2000), O Ano em que Zumbi Tomou o Rio (2003), As Mulheres de Meu Pai (2007), Barroco Tropical (2009), A Rainha Ginga (2014), A Sociedade dos Sonhadores Involuntários (2017) e Os Vivos e os Outros (2020), além de contos, crônicas e obras infantojuvenis como A Girafa que Comia Estrelas.

“Tudo Sobre Deus”

Publicado em 2025, Tudo Sobre Deus é o mais recente romance de José Eduardo Agualusa e apresenta uma narrativa marcada pela memória, pela finitude e pela busca interior.

A obra acompanha Leopoldo G. Borges, geólogo e poeta que, ao descobrir que está morrendo, se recolhe a uma igreja abandonada no deserto do Namibe, em Angola. Nesse espaço isolado, transforma os últimos meses de vida em uma intensa escavação íntima, entre diários, poemas, lembranças e reflexões.

Ao mesmo tempo em que procura compreender a própria trajetória, Leopoldo busca reencontrar a filha desaparecida, Gaia, em uma narrativa atravessada por temas como culpa, redenção e despedida.

Literatura como espaço de encontro e transformação

Em um tempo marcado pela pressa, pela desinformação e por discursos de intolerância, encontros como o “Sempre um Papo” reafirmam a importância da literatura como espaço de escuta, sensibilidade e construção de conhecimento. Os livros seguem aproximando pessoas, culturas e histórias, despertando empatia e ampliando o olhar sobre o mundo. Em cada troca de ideias, em cada conversa compartilhada entre escritor e público, a literatura se revela como um caminho de diálogo e humanidade, capaz de tornar a vida mais consciente, mais sensível e mais rica em experiências e saberes.

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O Lábaro

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