Chuvas Acendem Alerta Contra a Dengue em Paracatu

 Chuvas Acendem Alerta Contra a Dengue em Paracatu

Com aumento do risco no verão, prevenção depende da ação conjunta entre população e poder público

Com a chegada do período chuvoso e das altas temperaturas do verão, cresce significativamente o risco de proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O acúmulo de água parada em quintais, terrenos e áreas urbanas cria o ambiente ideal para a reprodução do inseto, tornando a prevenção uma responsabilidade coletiva.

Em Paracatu, segundo boletim do SISMODE divulgado até o dia 20 de fevereiro, foram confirmados sete casos de dengue. O número, no entanto, pode não refletir a realidade. Especialistas alertam que há grande subnotificação da doença no Brasil, um desafio histórico para a saúde pública e para o Ministério da Saúde.

A falta de registro adequado compromete o planejamento e a eficácia das ações de combate, dificultando o mapeamento de focos e a adoção de estratégias como visitas de agentes de endemias e aplicação de fumacê.

Apenas 10 minutos por semana podem salvar vidas

A eliminação dos criadouros é simples e exige pouco tempo. Com apenas dez minutos semanais, cada morador pode contribuir de forma decisiva:

  • Eliminar focos de água: Vistoriar quintais e áreas internas, virando garrafas, latas e pneus que acumulam água da chuva.
  • Vedação de reservatórios: Manter caixas d’água, cisternas e tonéis totalmente fechados.
  • Limpeza de calhas: Evitar o represamento de água em calhas, lajes e ralos.
  • Pratos de vasos: Preencher com areia até a borda ou higienizar semanalmente.
  • Descarte correto do lixo: Não deixar entulhos expostos.
  • Proteção pessoal: Utilizar telas em janelas, repelentes e roupas que cubram a maior parte do corpo, especialmente ao amanhecer e entardecer.

Subnotificação: o inimigo invisível

Um dos grandes obstáculos no enfrentamento da dengue é a subnotificação. Estima-se que cerca de 50% dos casos possam ser assintomáticos. Mesmo quando há sintomas, muitos são leves e confundidos com gripe ou virose, levando as pessoas a se automedicarem e não procurarem atendimento.

Outros fatores também contribuem:

  • Dificuldade de acesso aos serviços de saúde;
  • Tratamento em casa sem confirmação por exame;
  • A chamada “transmissão silenciosa”, quando pessoas infectadas não apresentam sintomas.

Especialistas da Fundação Oswaldo Cruz alertam que essa circulação silenciosa do vírus favorece surtos inesperados e dificulta o controle epidemiológico.

Sintomas exigem atenção

Febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas pelo corpo são sinais de alerta. Ao apresentar esses sintomas, é fundamental procurar a unidade de saúde mais próxima e evitar a automedicação, especialmente com medicamentos que possam agravar o quadro.

Responsabilidade compartilhada

O combate à dengue é uma ação coletiva. Enquanto o poder público atua na vigilância e no controle, cabe a cada cidadão eliminar criadouros em sua residência. A negligência em um único imóvel pode colocar toda a vizinhança em risco.

A dengue continua sendo um grande desafio para o Brasil, mas a prevenção começa dentro de casa. No período de chuvas, a atenção deve ser redobrada. Mais do que uma orientação, trata-se de um compromisso com a saúde de todos.

Referências

  • Ministério da Saúde – Boletins epidemiológicos e orientações sobre prevenção e controle da dengue.
  • Fundação Oswaldo Cruz – Estudos sobre subnotificação e transmissão silenciosa da dengue no Brasil.
  • Sistema de Monitoramento de Doenças (SISMODE) – Boletim epidemiológico municipal de Paracatu (até 20 de fevereiro).

 

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