Bordadeiras celebram o Dia Mundial do Bordado sob a sombra do flamboyant
Em uma tarde de calor intenso, a Praça do Santana transformou-se em um grande ateliê a céu aberto, onde quase 90 mulheres celebraram o Dia Mundial do Bordado entre o voo das araras, a florada do ipê-rosa e as tradicionais quitandas de Paracatu.
O calor tomava conta da tarde em Paracatu. Na Praça do Santana, no entanto, a sombra acolhedora de um flamboyant oferecia o frescor que convidava à permanência. Lá do alto, araras cruzavam o céu em voos rasantes, anunciando sua presença com gritos que se misturavam às conversas das bordadeiras. Sob as copas das árvores e emolduradas pela florada do ipê-rosa, cerca de 90 mulheres ocupavam a praça com bastidores, linhas e agulhas. O cenário parecia cuidadosamente bordado pela própria natureza.
Foi ali que as turmas de bordado da professora Neusa comemoraram, nesta quarta-feira (30), o Dia Mundial do Bordado. A aula saiu da Casa de Cultura para ganhar novos ares, em uma celebração que uniu arte, convivência e contemplação. Enquanto os pontos surgiam sobre os tecidos, o café servido em uma grande mesa, acompanhado das tradicionais quitandas de Paracatu, completava a acolhida e tornava a tarde ainda mais especial.
A atividade contou com a presença da presidente-diretora da Fundação Casa de Cultura, Vera Lemos, que acompanhou de perto o encontro das bordadeiras e ressaltou a importância de preservar os saberes tradicionais e incentivar iniciativas que mantêm viva a identidade cultural de Paracatu.
Celebrado em 30 de julho, o Dia Mundial do Bordado foi criado em 2011 pela Academia de Bordado de Täcklebo, em Vismarlöv, na Suécia. A iniciativa nasceu para conectar pessoas de diferentes países apaixonadas pela arte do bordado e reforçar seu valor como expressão artística, patrimônio cultural e instrumento de memória. Em seu manifesto, a instituição reconhece o bordado como uma linguagem capaz de registrar histórias, preservar identidades e dar visibilidade às experiências de diferentes povos.
Na Praça do Santana, esse significado se revelava naturalmente. As mãos trabalhavam em silêncio, interrompido apenas por risos, conversas e orientações compartilhadas entre as alunas. As mais experientes dividiam conhecimentos, enquanto outras descobriam, ponto a ponto, a delicadeza de uma técnica que atravessa gerações sem perder sua força.
Em um tempo marcado pela velocidade, a cena chamava atenção justamente pela calma. Bordar exige presença, paciência e sensibilidade, qualidades que pareciam acompanhar o movimento das árvores ao vento e o voo das araras sobre a praça.
Ao final da tarde, o que ficou não foram apenas os bordados produzidos, mas a lembrança de um encontro em que cultura, natureza e convivência caminharam lado a lado. Sob a sombra do flamboyant, as mulheres da Casa de Cultura mostraram que bordar é também preservar memórias, fortalecer laços e manter viva uma tradição que continua encontrando novas formas de florescer.















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