Três Décadas Eternizando a Palavra: Academia de Letras do Noroeste de Minas celebra 30 anos de história, cultura e memória
Em uma noite de emoção, homenagens e novos sonhos, Paracatu reverenciou aqueles que transformaram as letras em patrimônio vivo da identidade do Noroeste Mineiro.
Há noites que passam pela história. E há noites que se tornam história.
A celebração dos 30 anos da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), realizada na noite de 29 de julho, em Paracatu, foi uma dessas ocasiões memoráveis em que a cultura ocupou o lugar de honra que lhe pertence. Mais do que uma cerimônia solene, o evento representou um tributo à inteligência, à sensibilidade e ao compromisso daqueles que, ao longo de três décadas, fizeram das palavras pontes entre o passado, o presente e o futuro.
Fundada com o propósito de preservar a memória, incentivar a produção literária e fortalecer a identidade cultural de Paracatu e de toda a região Noroeste de Minas, a Academia consolidou-se como uma das mais importantes guardiãs do patrimônio imaterial do povo mineiro. São trinta anos costurando histórias, cultivando talentos e mantendo viva a chama da literatura como expressão maior da alma de uma comunidade.
A cerimônia reuniu autoridades, acadêmicos, escritores, familiares, convidados e amantes da cultura. Compuseram a mesa de honra o prefeito de Paracatu, Pedro Adjuto; a presidente da Academia de Letras do Noroeste de Minas, Dra. Daniela de Faria Prado; a Vice-Presidente: Helen Ulhôa Pimentel, o acadêmico José Ivan Lopes, representando o secretário municipal de Educação, Thiago de Deus; e o secretário municipal de Cultura, Thiago Venâncio.
A solenidade foi marcada pela execução do Hino Nacional e depois o Hino a Paracatu, com letra de João Duarte Campos (Zico) e música de Agenor Gonzaga Santos, seguida pela emocionante convocação dos membros da Academia para ocuparem lugar de destaque na celebração de sua própria história e pelos pronunciamentos das autoridades.
Em um dos momentos mais simbólicos da noite, foram homenageados os pioneiros que ajudaram a erguer os alicerces da instituição. Receberam reconhecimento especial a presidente honorária Coraci da Silva Neiva Batista, que esteve à frente da Academia durante duas décadas, e Dalia Maria Neiva Moreira Salles que não pode estar presente, primeira presidente da ALNM, além de diversos nomes que contribuíram decisivamente para consolidar a literatura e a cultura como patrimônio permanente de Paracatu e do Noroeste de Minas.
A noite também foi marcada por um amplo reconhecimento a personalidades que dedicaram suas vidas à valorização da cultura. Receberam homenagens:
Coraci da Silva Neiva Batista, Dalia Maria Neiva Moreira Salles, Maria José Gonçalves Santos, Lavoisier Wagner Albernaz, Adailton Silva (Didi), Almir Paracá Cristóvão Cardoso, Berenice Maria Mendes Nascimento, Delma Dalva Silva Santos, Enos Araújo Barbosa, Edina Sueli das Dores, Ildeu Novais Pinto, Isac Costa Arruda, José Maria das Neves (Zé Badauê), Luiza da Silva Pereira, Max Gonçalves Ulhoa, Mércia Vasconcelos Souto, Rosilene Bispo de Jesus, Ruth Brochado Ferreira, Uldicéia Oliveira Riguetti e Valdete de Fátima Lopes.
Em um instante de profundo respeito e emoção, a Academia voltou seu olhar para aqueles que escreveram páginas inesquecíveis da história cultural da região e que hoje permanecem vivos por meio de seu legado. As homenagens in memoriam reverenciaram Humberto Lepesqueur Torres, Joaquim André Sobrinho (Zoté André), José Augusto Pinheiro (Zé Baguinho), Manoel Borges de Oliveira, Sílvio Lepesqueur e Walderez Porto Gonçalves dos Santos, lembrando que a verdadeira imortalidade pertence àqueles que deixam marcas na memória de um povo.
Lançamento edital da ALIF
O futuro também ganhou espaço na celebração com o lançamento do edital da Academia de Letras Infantojuvenil (ALIF), iniciativa que amplia o alcance da instituição e aproxima crianças e adolescentes do universo da leitura, da escrita e da produção literária. Um projeto que simboliza a continuidade da missão da Academia e o compromisso de formar novas gerações de leitores e escritores.
Outro momento de reconhecimento foi dedicado aos servidores Kelly, Onézio e Lucilaine, profissionais que, com dedicação diária, garantem o funcionamento da Casa da Academia, acolhendo visitantes, apoiando projetos e colaborando para que a instituição permaneça viva e atuante.
A emoção prosseguiu com a apresentação do Coral Stella Maris, que encantou o público com um repertório sensível e emocionante, seguida da exibição de um vídeo comemorativo relembrando momentos marcantes dessas três décadas de história, encontros, publicações, projetos e conquistas.
Ao final da solenidade, ficou evidente que celebrar a Academia de Letras do Noroeste de Minas é celebrar a própria história de Paracatu. Durante trinta anos, a instituição reuniu escritores, pesquisadores, professores, artistas e apaixonados pela cultura para preservar a memória regional e fortalecer a identidade de um povo que encontra nas letras uma de suas maiores riquezas.
São trinta anos de livros publicados, pesquisas realizadas, concursos literários, encontros, conferências, projetos educacionais, incentivo à leitura e valorização da cultura regional. Trinta anos provando que as palavras resistem ao tempo e que a literatura é uma das mais poderosas formas de eternizar a memória.
A maior homenagem da noite, entretanto, foi dirigida aos próprios imortais da Academia de Letras do Noroeste de Minas, homens e mulheres que continuam escrevendo essa história com talento, dedicação e amor às letras.
São eles: Ana Carolina Campos de Carvalho, Benedita dos Reis Soares Costa, Coraci da Silva Neiva Batista, Dalia Maria Neiva Moreira Salles, Eleusa Spagnoulo Souza, Helen Ulhoa Pimentel, Ilma Pereira de Souza, Isaías Ferreira Nery, Lavoisier Wagner Albernaz, Márcio José dos Santos, Marcos Spagnoulo Souza, Maria Tereza Oliveira de Melo Cambronio, Marilene Andrade Ferreira, Murilo de Araújo Caldas, Nágela Caldas Lepesqueur, Silvano Alves Avelar, Tarzan Leão de Souza e Terezinha de Jesus Santana Guimarães.
A todos eles, o reconhecimento de Paracatu e de todo o Noroeste de Minas por manterem acesa a chama da literatura, preservarem a memória coletiva e demonstrarem que a cultura é um patrimônio que atravessa gerações.
Parabéns à Academia de Letras do Noroeste de Minas pelos seus 30 anos de fundação. Parabéns à presidente, Dra. Daniela de Faria Prado, pela condução desta importante missão. Parabéns à vice-presidente, Helen Ulhôa Pimentel, aos acadêmicos, fundadores, ex-presidentes, homenageados, servidores e colaboradores que fizeram e continuam fazendo da ALNM um dos maiores patrimônios culturais de nossa região.
Que venham novas décadas, novos escritores, novos leitores e novas histórias. Porque, enquanto existir alguém disposto a escrever, ensinar, preservar e compartilhar conhecimento, a Academia continuará cumprindo sua missão: fazer da palavra um elo entre gerações e transformar a literatura em eternidade.
Na noite em que a Academia celebrou seus 30 anos, Paracatu não comemorou apenas a trajetória de uma instituição. Celebrou a permanência da palavra, a força da memória e a certeza de que um povo que preserva sua literatura jamais perde sua identidade. Cada homenagem, cada aplauso e cada página escrita ao longo dessas três décadas reafirmam que a cultura é a herança mais nobre que uma geração pode legar à outra. A Academia de Letras do Noroeste de Minas não celebra apenas o passado; ela semeia o futuro, inspirando novos escritores, formando leitores e perpetuando a história de uma terra cuja riqueza também se escreve com tinta, sensibilidade e amor às letras.
Afinal, os livros podem fechar suas páginas, mas a cultura jamais encerra sua história. Ela continua sendo escrita por aqueles que acreditam que as palavras são capazes de vencer o tempo.
Creditos das fotos: Douglas Fernandes e Jornal O Lábaro










































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