“Se o trauma é passado de gerações, os valores também podem.”

 “Se o trauma é passado de gerações, os valores também podem.”

    A frase de Wagner Moura não ecoou apenas como reflexão, soou como profecia cumprida.

No último domingo, 11 de janeiro de 2026, o Brasil parou por um instante para se reconhecer no espelho do mundo. Na cerimônia do Globo de Ouro, uma das vitrines mais simbólicas do audiovisual internacional, o cinema brasileiro não apenas foi visto: foi celebrado, aplaudido e premiado. O Agente Secreto saiu consagrado como Melhor Filme em Língua Não Inglesa, e Wagner Moura escreveu seu nome na história ao vencer o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama.

Não se trata apenas de uma estatueta. Trata-se de memória, identidade e coragem.

Ao se tornar o primeiro ator brasileiro a conquistar esse prêmio na categoria de drama, Wagner Moura rompe uma fronteira que sempre pareceu distante, não por falta de talento, mas por excesso de silenciamento. Sua vitória carrega décadas de cinema feito com resistência, criatividade e urgência. Carrega o peso e a beleza de um país que insiste em contar suas próprias histórias, mesmo quando elas doem.

Dirigido por Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto mergulha nas sombras da ditadura militar brasileira, um período que ainda reverbera no presente. O filme não revisita o passado por nostalgia, mas por necessidade. Porque lembrar também é um ato político. Porque narrar é uma forma de não permitir o esquecimento.

No palco, Wagner falou em português. Falou para casa, para o mundo e para a história. “Viva o Brasil! Viva a cultura brasileira!” não foi apenas um agradecimento, foi um manifesto. Um lembrete de que nossa arte é viva, pulsante e digna de ocupar qualquer espaço.

Essa conquista não caminha sozinha. Ela dialoga com um movimento maior, iniciado simbolicamente no ano anterior, quando Fernanda Torres venceu o Globo de Ouro de 2025 por Ainda Estou Aqui. Em dois anos consecutivos, o Brasil deixou de ser exceção para se tornar presença.

O reconhecimento internacional de Wagner Moura consolida algo que já sabíamos, mas que agora o mundo confirma: o cinema brasileiro é potente porque é verdadeiro. Porque nasce do conflito, da sensibilidade, da observação crítica e do afeto. Porque transforma trauma em linguagem e valores em legado.

Hoje, o Brasil não apenas celebra uma vitória. Celebra sua voz. E ela foi ouvida.

A editora

foto em destaque: divulgação globo

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