A cidade se reconhecendo em suas próprias histórias
Exposição “Economia Criativa: encontros, memórias e partilha” transforma a Praça Firmina Santana em espaço de memória, afeto e criação em Paracatu
A Praça que se torna palco de memórias
No início da noite de ontem, 20 de janeiro, a Praça Firmina Santana ganhou outro ritmo, outra respiração. Sob um céu carregado de promessas, nuvens densas, chuva anunciada e, aos poucos, um chuvisco refrescando o ambiente, Paracatu abriu espaço para reconhecer a si mesma. Foi ali, em meio à luz suave do entardecer, que a exposição “Economia Criativa: encontros, memórias e partilha” foi oficialmente aberta ao público, transformando o coração da cidade em palco de memórias vivas.
Saberes que viram valor
Realizada pelo Museu da Pessoa, com patrocínio da Kinross, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, a exposição segue em cartaz até o dia 20 de fevereiro, na própria praça, com visitação gratuita. A mostra convida moradores e visitantes a percorrer histórias que revelam como saberes, ofícios e criações do cotidiano se transformam em valor cultural, social e econômico.
A cerimônia de abertura reuniu representantes de diferentes áreas e instituições, reforçando o caráter coletivo da iniciativa. Estiveram presentes Eduardo Valente, da Gestão de Sustentabilidade do Museu da Pessoa; o secretário municipal de Cultura, Thiago Venâncio; o secretário de Turismo, Igor Diniz; o secretário de Educação, Tiago de Deus; Diego de Paula, analista de Comunidade, representando a Kinross; Diego Moraes, pela Fundação Casa de Cultura; a artesã Mércia Vasconcelos, representando a Comunidade 5; além de integrantes da Associação dos Amigos da Cultura.
O simples que se transforma em riqueza
Inspirada na metáfora da pedra filosofal, a exposição lança um olhar sensível sobre a economia criativa no interior do Brasil, onde o simples se transforma em valor. Em Paracatu, o saber nasce da escuta, da partilha e da oralidade, atravessa gerações e se revela como a mais preciosa das riquezas.
O mosaico humano de Paracatu
Espalhada pela praça em totens expositivos, a mostra reúne as histórias de oito protagonistas, artistas, mestres de ofício, educadores e guardiões de tradições, cujas trajetórias revelam como a criatividade brota do cotidiano e mantém viva a inteligência coletiva da cidade. Ali estão Maria Ângela, que transforma quitandas em memória e afeto; Flávio Costa, que pinta o silêncio e faz da imagem sua voz; Janaína Campos, que encontra na aquarela um espaço de paz e criação; e Solano Benedito, que percorre caminhos levando palavras, recados e poesia ao sabor do instante. Também fazem parte desse encontro Ronaldo Lopes, o Ronaldo Planeta, cuja alquimia nasce da terra e da cana; Mércia Vasconcelos, que ensina mãos a se transformarem em asas; Benedito da Conceição, mestre da caretagem e guardião da ancestralidade quilombola; e João da Silva, o João do Forró, que traduz a vida simples em versos e melodias.
Sabores que guardam memória, imagens que falam no silêncio, cores que traduzem paz, vozes que percorrem estradas, a alquimia da terra, mãos que ensinam a transformar e tradições que resistem ao tempo compõem esse mosaico humano. Histórias que mostram que criar é, acima de tudo, um gesto de pertencimento.
Criatividade como identidade
Ao reunir essas narrativas, a exposição “Economia Criativa: encontros, memórias e partilha” propõe uma reflexão sobre o Brasil profundo, onde fé, afeto e tradição se convertem em identidade. Em Paracatu, a criatividade segue transformando saberes em riqueza, uma riqueza de afeto que não se pesa, mas se compartilha.

































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