Postos de coleta já têm endereço definido para o início da operação censitária

 Postos de coleta já têm endereço definido para o início da operação censitária

A 70 dias do início do Censo 2022, todos os 6.044 postos de coleta espalhados pelo território brasileiro já estão com endereço definido. Esses locais são considerados a célula-base da operação censitária, abrigando, além do recenseador, seus supervisores, que realizam atividades como suporte, gerenciamento e controle da coleta dos dados. Eles podem funcionar em salas de aula de escolas e universidades, auditórios, espaços cedidos por prefeituras e, por conta de um acordo de cooperação técnica, também em agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A coleta do Censo 2022 começa em 1o de agosto.

“Há postos de coleta maiores, outros menores. O importante foi centralizar esse trabalho, permitir que os coordenadores de subárea e área acompanhem o trabalho de perto. Esse local serve de base para o recenseador, mas o campo de trabalho dele é na rua, é lá onde faz a coleta”, afirma José Renato Braga, chefe da Unidade Estadual do Rio Grande do Sul, que entrou no IBGE em 1969, e acompanhou, entre demografia e agropecuária, oito operações censitárias.

Ele destaca que paralelamente à organização desses espaços, as unidades estaduais do IBGE estão realizando os treinamentos dos profissionais que trabalharão no Censo. “Muitas vezes as pessoas não entendem a dimensão de uma operação como essa. A maioria pensa que o Censo começa no dia 1º de agosto. Essa data marca a parte mais complexa da operação, mas começamos muito antes, ao realizar essas preparações”, diz. No Rio Grande do Sul, foram montados 366 postos de coleta e é esperada para os próximos dias a chegada de mais de mil profissionais, entre Agentes Censitários Municipais (ACM) e Agentes Censitários Supervisores (ACS) aprovados na seleção cujo resultado saiu no dia 20.

 

 

 

Daqui a 70 dias, 183 mil recenseadores percorrerão os mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro batendo de porta em porta para retratar a população que vive no país. Acompanhando o seu primeiro censo como chefe da Unidade Estadual da Bahia, André Urpia diz que, por ser uma operação de grande dimensão, ainda há muito a ser feito. “Por mais que a gente faça e tenha planejamento, são muitas atividades. Mas todos estão muito motivados. O Censo traz adrenalina, coloca nos servidores a vontade de fazer ainda mais”, fala.

“São 600 pessoas trabalhando no IBGE da Bahia, daqui a pouco entram 2 mil e depois mais 12 mil, então é um trabalho excepcional fazer o Censo acontecer, ir de rua em rua, de porta em porta. E ao mesmo tempo isso abre portas para o IBGE, é um momento muito importante para o Instituto. É um desafio gigante e fundamental porque também temos que cativar as pessoas”, complementa. Ele conta que durante o trabalho ouve muitos depoimentos de pessoas que já trabalharam anteriormente fazendo o recenseamento. “Gente que viu nesse trabalho com o Censo uma experiência de vida e se dispõe a colaborar”, relata.

A Bahia, quarto estado mais populoso do Brasil, terá 486 postos de coleta. “Estamos fazendo a montagem da estrutura e a distribuição do equipamento, encaminhando para as agências do IBGE. Vamos ao mesmo tempo organizando a infraestrutura, a contratação de pessoal, preparando os treinamentos, tudo para que o trabalho flua”, diz André. O treinamento daqueles que foram convocados para assumir a função de Coordenador Censitário Subárea (CCS) já foi finalizado. Já a preparação para as funções de ACM e ACS está prevista o início de junho.

No caso dos recenseadores, cuja contratação está em fase final, o treinamento de cinco dias será feito em julho. “Após esse treinamento, os profissionais já vão para seu local de trabalho. No caso dos ACM e ACS, há antes do Censo, a Pesquisa do Entorno, prevista para ter início em 20 de junho. Depois há a preparação dos recenseadores. É um pessoal que, em sua maioria, não conhece o trabalho de campo. É muito específica, muito própria do IBGE essa coisa de bater de porta em porta. Por isso o treinamento é tão importante”, diz o chefe da Unidade Estadual do Rio Grande do Sul. No estado gaúcho, os recenseadores vão visitar quatro milhões de domicílios.

Uma das novidades trazidas pelo Censo é o monitoramento do trabalho do recenseador pela tela do tablet do supervisor. “Essa tecnologia melhorou muito o controle do trabalho em campo para corrigir um possível erro durante a coleta em tempo real. Já durante o treinamento, o recenseador sabe que precisa ter atenção ao usar a ferramenta e que este trabalho está sendo monitorado”, diz André, ressaltando a importância de outras pesquisas do IBGE para o avanço tecnológico.

Com menor número de habitantes, Serra da Saudade tem apenas quatro setores censitários

Usando colete azul, boné e crachá e com o Dispositivo Móvel de Coleta (DMC) em mãos, o recenseador vai a cada um dos endereços de seu setor censitário – unidade territorial formada por área contínua, situada em um único quadro urbano ou rural, com dimensão e número de domicílios que permitam o levantamento por esse profissional. “Quando o recenseador finaliza um setor, outro é oferecido a ele”, explica o coordenador operacional dos Censos.

No Brasil, são 452.246 setores censitários. O número de setores varia de cidade para cidade. Em São Paulo, maior concentração populacional do país, eles são 27.592. Na pequena Serra da Saudade, em Minas Gerais, que tem o menor número de habitantes entre os municípios brasileiros, são apenas quatro setores.

Para o Censo 2022, também foram planejadas 1.444 subáreas. Esses setores coordenam os postos de coleta e são regiões que reúnem pequenos municípios ou partes de um grande município. Cada subárea tem um coordenador, que fica responsável, entre outras atividades, por acompanhar o trabalho das coordenações estaduais e nacional e implementar as orientações.

Trabalho do recenseador

Um dos principais desafios de um recenseador é ser recebido pelos moradores. Quando chega a um endereço e não consegue fazer a entrevista, esse profissional faz no mínimo quatro tentativas de contato com os moradores em dias e horários alternativos. Isso inclui, por exemplo, a noite e os finais de semana. As visitas são registradas no DMC. Quando o contato é muito difícil, pode ser necessário que o profissional visite de oito a dez vezes o mesmo domicílio para encontrar o morador e assim conseguir aplicar o questionário.

Há dois tipos de questionário: o ampliado ou da amostra, que cobre 11% dos endereços do país e tem 77 perguntas, e o questionário básico, aplicado em 89% do total, com 26 perguntas. O questionário da amostra contém perguntas que abordam de forma mais profunda temas como educação e trabalho e rendimento. Com ele, o recenseador leva em média, 18 minutos para entrevistar o morador. A entrevista com o questionário básico é mais rápida: leva em torno de quatro minutos.

A celeridade dessa etapa se torna importante diante de receios dos moradores com a perda de tempo para responder ao questionário. Isso é somado a outras possíveis preocupações do respondente, como a segurança. Por isso, o chefe da unidade estadual do Rio Grande do Sul diz que o Censo 2022 tende a ser mais desafiador do que os anteriores. “A recepção do morador mudou muito. Por mais que nos outros censos tivéssemos mais dificuldades técnicas, também havia maior facilidade no acesso. Hoje, se chegar ao domicílio e não for recebido, muitas vezes não posso nem tentar convencer o morador da importância da realização do trabalho”, diz José Renato.

O coordenador operacional dos Censos diz que esse é um desafio especialmente ligado aos grandes centros urbanos. Para contornar a situação, as equipes do Instituto estão tomando providências. “O IBGE realiza reuniões de planejamento e acompanhamento do Censo com pessoas-chave do município para buscar apoio na divulgação da operação e estabelece parcerias com administradoras de condomínios em cidades de maior porte”, relata Claudio Barbosa.

O chefe da Unidade Estadual da Bahia conta que, durante os testes do Censo, a equipe percebeu mudanças na recepção dos profissionais. “As estruturas das famílias estão cada vez menores, então é mais difícil encontrar os moradores em casa. E tem a questão da segurança, de ter medo de receber uma pessoa desconhecida. Além disso, há o próprio ritmo de vida das pessoas que mudou. Elas estão muito mais conectadas e sem tempo”, diz André.

“Nos condomínios, a dificuldade é chegar a esse morador, transmitir o aviso de que a informação passada por ele é sigilosa e que precisamos que todo mundo responda”, acrescenta. O morador pode conferir a identidade do recenseador por meio do QR Code disposto no crachá. Também é possível checar os dados ao digitar a matrícula do profissional no site respondendo.ibge.gov.br.

Outras opções possíveis são as respostas pela internet ou por telefone, que serão feitas de forma mista com a presencial. Se prefere responder pela internet, o morador deve aguardar a visita do recenseador que irá cadastrar e-mail e número de celular no sistema. Ele receberá um token (eTicket), que será usado para preencher o formulário do Censo. Ele terá sete dias para finalizar a operação.

 

 

 

 

Para mais informações sobre esse assunto acesse a página do IBGE na Internet – www.ibge.gov.br ou diretamente na Agência de Notícias IBGE – http://agenciadenoticias.ibge.gov.br/

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O Lábaro

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