Mia Couto é presença confirmada no Fliparacatu e vai ler trecho de seu novo livro ainda inédito
“A Luz Mais Escura”, título provisório da nova obra do escritor moçambicano, é ambientado na fronteira entre Moçambique e África do Sul
O escritor moçambicano Mia Couto reserva uma novidade para sua participação no 4º Fliparacatu – Festival Literário Internacional de Paracatu. O autor fará a leitura de um trecho de seu novo livro, ainda inédito, provisoriamente intitulado “A Luz Mais Escura”. A nova obra é ambientada na fronteira entre Moçambique e África do Sul, território que ganha especial significado na literatura de Mia Couto. Fronteiras, em seus livros, raramente são apenas linhas geográficas, são lugares de passagem, confronto e transformação. A leitura em Paracatu permitirá ao público um primeiro contato com uma obra ainda em processo de chegada aos leitores.
A presença de Mia Couto é um dos destaques da programação do Fliparacatu, que acontece de 26 a 30 de agosto, no Centro Histórico de Paracatu, com programação gratuita. O escritor participa de dois imporntantes encontros. Na sexta-feira, 28 de agosto, às 20h, estará na mesa “O Papel da Literatura em um Mundo em Transe”, ao lado da escritora Noemi Jaffe, com mediação de Jeferson Tenório. No sábado, 29 de agosto, às 21h, Mia Couto participa de um dos momentos centrais desta edição na mesa “Grande Sertão: Veredas – 70 anos – A Travessia Continua”, ao lado da ministra Cármen Lúcia e da escritora e jornalista Míriam Leitão, com mediação do jornalista Jamil Chade. O encontro celebra os 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas e aproxima dois escritores separados pelo Atlântico, mas ligados por uma relação profunda com a língua portuguesa. Mia Couto nunca escondeu a importância de João Guimarães Rosa em sua formação literária. Em ambos, a língua não é apenas instrumento para contar uma história, ela própria se torna território de invenção.
A participação de Mia Couto ganha, dessa forma, um significado particular no Fliparacatu de 2026. O festival homenageia Guimarães Rosa e trabalha com o tema “Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo”. Mia Couto chega a Paracatu trazendo o sertão de Rosa e, ao mesmo tempo, apresentando aos leitores brasileiros um território ainda desconhecido de sua própria literatura. Com a leitura de A Luz Mais Escura, o público do festival será um dos primeiros a ouvir a voz do novo livro de Mia Couto antes mesmo de sua publicação.
O 4.º Fliparacatu – Festival Literário Internacional de Paracatu – traz como tema “Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo”, em uma homenagem aos patronos desta edição, o escritor João Guimarães Rosa, nos 70 anos de publicação do livro Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, em seu centenário de nascimento. O festival acontece entre os dias 26 e 30 de agosto, no centro histórico de Paracatu.
A Kinross apresenta a quarta edição do Fliparacatu, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com o patrocínio da Caixa e apoio cultural da Prefeitura de Paracatu, Academia de Letras do Noroeste de Minas e Sebrae. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, transmitidas online pelo Youtube e estão alinhadas com os princípios do ESG (Ambiental, Social e Governança) e da ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas).
A curadoria nacional é assinada por Sérgio Abranches e Calila das Mercês, ao lado do idealizador e presidente do festival, Afonso Borges. As atividades locais são conduzidas por Daniela Prado, e a curadoria infanto-juvenil fica a cargo de Rafael Nolli.


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