Entre o café quente e o leite frio do mercado

 Entre o café quente e o leite frio do mercado

Na manhã desta quinta-feira, 15 de janeiro, Paracatu despertou com cheiro de café fresco e uma esperança compartilhada. Na sede da Loja da Veterinária da Coopervap, produtores de leite chegaram cedo para o acerto do leite, o primeiro de 2026. Foram recebidos por uma mesa farta, onde as quitandas tradicionais da cidade, bolos, pães de queijo, biscoitos e o cafezinho passado na hora, lembravam que, apesar das dificuldades, a hospitalidade do campo mineiro segue viva e resistente.

Entre conversas baixas e olhares atentos, circulavam números, preocupações e silêncios. O acerto do leite vai além de um encontro administrativo: é o retrato mensal da sobrevivência da agricultura familiar. E, neste início de ano, o retrato traz sinais de um período que exige cautela e resistência.

Minas Gerais, maior produtor de leite do Brasil, enfrenta uma crise que escorre lentamente pelos currais e pelas planilhas. O preço médio pago ao produtor caiu para cerca de R$ 2,11 por litro, valor que, para muitos, não cobre sequer os custos de produção, comprometendo a continuidade da atividade.

Em Paracatu, nesta manhã, o café foi servido quente, como manda a tradição. O leite, porém, segue frio nas negociações. Ainda assim, entre uma quitanda e outra, permanece algo que não se importa nem se taxa: a persistência do produtor rural. Gente que, mesmo pressionada por números adversos, continua acreditando que o leite, alimento simples, essencial e cotidiano, volte a ter o valor que merece, não apenas na mesa do brasileiro, mas também na vida de quem o produz.

 

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O Lábaro

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