Entre câmera, luz e ação, tempo e memória

 Entre câmera, luz e ação, tempo e memória

O Dia do Fotógrafo e a arte de eternizar o instante

 No Brasil, o Dia do Fotógrafo é celebrado em 8 de janeiro. Uma data que, muitas vezes discreta no calendário, carrega um profundo peso histórico e afetivo, atravessando séculos, olhares e memórias que insistem em permanecer vivas.

Não sou fotógrafa profissional. Ainda assim, amo profundamente a arte de fotografar. Talvez porque fotografar seja, antes de tudo, um gesto de atenção: olhar com mais cuidado, escolher um instante, decidir que aquele segundo merece existir além do tempo. No Dia do Fotógrafo, também chamado de Dia Nacional da Fotografia, celebro esse gesto simples e, ao mesmo tempo, poderoso.

Foi em 8 de janeiro de 1840 que a primeira câmera fotográfica chegou ao Brasil. À época, o equipamento parecia quase mágico, inaugurando uma nova forma de registrar o país e sua gente. A escolha da data simboliza esse encontro inaugural entre o Brasil e a fotografia, um marco silencioso que mudaria para sempre a maneira de contar histórias.

Curiosamente, o primeiro fotógrafo brasileiro foi Dom Pedro II. Apaixonado por ciência, artes e inovação, o imperador não apenas incentivou a fotografia, como também produziu suas próprias imagens, compreendendo desde cedo o valor histórico, cultural e documental desse novo modo de ver o mundo.

Desde então, a fotografia tornou-se uma narradora silenciosa de histórias extraordinárias. Ela eterniza momentos pessoais, um sorriso, um abraço, um instante de amor, e também acontecimentos históricos que moldam a memória coletiva de um país. Cada fotografia é um fragmento do tempo que se recusa a desaparecer.

Comemorar o Dia do Fotógrafo é reconhecer a importância da fotografia para a sociedade. É agradecer a todos que, com técnica ou sensibilidade, profissão ou paixão, se colocam atrás das lentes para revelar o que, muitas vezes, passa despercebido. Fotógrafos profissionais e amadores compartilham o mesmo impulso: o desejo de guardar o mundo em imagens, para que ele não se perca no esquecimento.

Essa forma de olhar o mundo foi profundamente marcada por nomes como Henri Cartier-Bresson (1908–2004), fotógrafo francês considerado o pai do fotojornalismo moderno e um dos grandes mestres da fotografia de rua. Famoso por capturar o chamado momento decisivo, Cartier-Bresson fundou a agência Magnum Photos ao lado de Robert Capa e documentou, com sensibilidade e humanismo, grandes acontecimentos do século XX e a vida cotidiana em diferentes culturas.

Utilizando sua câmera Leica como uma extensão do próprio corpo, ele acreditava que fotografar era “colocar na mesma linha a cabeça, os olhos e o coração”. Cobriu eventos históricos marcantes, como a Segunda Guerra Mundial, período em que foi prisioneiro e integrou a Resistência Francesa, a morte de Gandhi, a Revolução Chinesa, a Guerra da Argélia, além de acontecimentos em Cuba e na antiga União Soviética. Sempre atento, antecipava o instante exato em que a realidade se revelava em sua forma mais verdadeira.

Não podemos deixar de citar Sebastião Salgado, que, por meio de seu trabalho, não apenas capturou imagens, mas provocou reflexões profundas sobre a sociedade, a condição humana e a preservação do planeta.

Nascido em Minas Gerais, em 1944, Salgado é considerado um dos fotógrafos mais importantes da história. Iniciou sua carreira em 1973 e percorreu mais de 100 países desenvolvendo projetos fotográficos de grande impacto social e ambiental.

Com sua lente, registrou dores, belezas e contradições do nosso tempo. Ao retratar tanto a condição humana quanto a grandiosidade da natureza, Sebastião construiu uma obra que é memória, denúncia e convite à reflexão, um legado de compromisso com a humanidade, com a arte e com a conservação da vida na Terra.

No fim, fotografar é um ato de amor. Um encontro entre sensibilidade e tempo. E todo amor, assim como toda imagem que guarda uma história, merece ser celebrado.

A Editora

fotos arquivo pessoal

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