DEDO DE PROSA

 DEDO DE PROSA

O ser humano é mesmo bicho estranho, ainda no alvorecer, bem cedinho mesmo, Haroldo vagava como se não tivesse o que fazer, zanzava o homem meio sem pretensão definida, e, de repente, para num lugar, observa uma paisagem e imagina………: Pelas bandas do paracatuzinho, margeando o córrego, numa praça “meio descuidada”, pode ele “enxergar e ouvir” um bate papo de pé de ouvido:   -Bom dia bela paineira!   Notei que está sorridente, suas poucas folhas nessa manhã de abril mostram-se felizes umedecidas pelo fresco orvalho nesse início de outono.   Seu saudável tronco mostra virilidade, seus galhos parecem mecânicos de tão resistentes.   E suas flores, nada há de mais belo em toda a região, os passantes param e ficam deslumbrados a observar, pássaros de espécies diferentes estão a tagarelar todo o dia como se em festa estivessem, sem contar o perfume exalado pelas flores, cuja raridade só o mais fino olfato pode captar.   –Também pudera! Responde a paineira.   E complementa sorridente: Tú o graciosa praça! Abastece-me com terra fértil, conservas próximo de mim um raso lençol de límpida e abundante água, e mais, foi estrategicamente localizada para favorecer o devido crescimento e conservação dos vegetais que aqui germinam.   Por isso, em breve e para lhe agradecer lançarei pétala por pétala todas as flores por mim geradas sobre você em agradecimento, mas a verdade tem de ser dita.   Ainda que as pessoas não cuidem adequadamente de tí o bondosa praça, não há nas proximidades espaço mais belo.   E finalizando, na única época do ano que me visto de coloridas flores, praça e paineira formam sem dúvida, um bonito par, completou a paineira.    Não há dúvida que muitos de nós não percebemos o dialogar dos entes naturais que tornam o torrão terra tão mais aconchegante e acolhedor, a maioria dos cenários surge e desaparece sem que possamos nos deliciar com as belas imagens, corremos tanto, gastamos boa porcentagem do nosso tempo com futilidades enquanto a vida ou (tempo de vida) escorre pelos dedos.

Miguel Francisco do Sêrro – Historiador

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