Couro de tilápia pode impulsionar economia criativa em Morada Nova de Minas

 Couro de tilápia pode impulsionar economia criativa em Morada Nova de Minas
Capital nacional da tilápia busca interessados em integrar projeto que irá transformar o resíduo da piscicultura em fonte de renda e identidade local
A indústria de pescados de Morada Nova de Minas – município do Noroeste do estado reconhecido como o maior produtor de tilápia do Brasil -, pode integrar uma iniciativa que pretende aproveitar o couro desta espécie de peixe como matéria-prima nobre e sustentável especialmente, para a produção de artigos de moda e artesanato, como calçados, bolsas, carteiras, cintos e peças de decoração.
Esse é o objetivo de um trabalho iniciado pelo Sebrae Minas para sensibilizar pessoas da comunidade interessadas em trabalhar na cadeia produtiva do couro da tilápia. A intenção é resgatar uma atividade que fez parte da história do município há cerca de 20 anos, quando a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) implantou um curtume destinado ao beneficiamento da pele de tilápia.
Embora as atividades tenham sido interrompidas, o maquinário permanece preservado e pode ser utilizado no retorno desta operação. Além disso, é necessário identificar interessados em atuar nas diferentes etapas da cadeia produtiva, que passa pelo curtume, tingimento e costura das mantas que são feitas a partir do couro da tilápia para a confecção de produtos, acessórios e artigos voltados ao turismo e à pesca esportiva.
Busca por boas práticas
Uma das pessoas já envolvidas neste processo é a artesã Maria Helena Costa, que faz parte da Associação dos Artesãos de Morada Nova. Ela integrou um grupo que esteve, nos dias 7 e 8 de julho, na feira Inspira Mais, em São Paulo, considerado o maior evento de design de materiais da América Latina. “Somos a capital nacional da tilápia e temos muito potencial para fortalecer essa identidade também por meio do couro. Temos uma piscicultura da região interessada em doar as peles para o início das atividades, agora, precisamos de interessados em atuar com corte e costura”, explica.
A experiência em São Paulo também apresentou novas possibilidades para agregar valor ao produto. O grupo visitou o ateliê da estilista Flávia Aranha, referência nacional em moda sustentável, e conheceu técnicas de tingimento natural utilizando pigmentos extraídos de plantas como urucum, anil, cúrcuma, aroeira, folhas e cascas de árvores que estão em abundância na região.
Valor agregado
Atualmente, a pele da tilápia é destinada, em grande parte, à fabricação de ração animal, atividade de baixo retorno econômico. Com o beneficiamento em couro ecológico, o material passa a atender mercados de maior valor agregado, como moda, artesanato, design e acessórios. “A união de piscicultores, empreendedores, artesãos e parceiros vai permitir transformar um resíduo da piscicultura em novas oportunidades de negócios, geração de renda, identidade e desenvolvimento para Morada Nova de Minas”, destaca a analista do Sebrae Minas Isabella Silva.
Estima-se que a estrutura existente em Morada Nova de Minas tenha capacidade para processar cerca de 20 mil peles de tilápia por mês. Segundo a consultora responsável pelo projeto, Luciana Navarro, será necessária a reativação do maquinário para testes, seguida da oferta de capacitações específicas para formação das equipes responsáveis pelo curtimento, tingimento e confecção. “O município conta com matéria-prima abundante, governança organizada, tradição na piscicultura, forte comércio ligado à tilápia, potencial turístico e profissionais da área de moda e design”, frisa.
Capital nacional da tilápia
Estima-se que em Morada Nova são produzidas cerca de 80 toneladas de tilápia, diariamente, sendo responsável por mais de 50% da produção estadual. Com o uso intensivo de tanques-rede na represa de Três Marias, o município foca na verticalização da cadeia, gerando investimentos em genética e processamento. A produção local é apoiada por uma infraestrutura robusta, contando com grandes processadoras e parceiros estratégicos que integram desde a produção de alevinos até a venda do pescado beneficiado.
Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Noroeste e Alto Paranaíba

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