Bloco “Passeio Pelo Tempo” celebra 16 anos de memória, música e resistência cultural em Paracatu

 Bloco “Passeio Pelo Tempo” celebra 16 anos de memória, música e resistência cultural em Paracatu

Tradicional atração do carnaval paracatuense homenageia, em 2026, Luiz Darilo e sua sanfona, símbolo de identidade e luta popular

Em meio aos ritmos contemporâneos e aos trios elétricos que dominam o cenário carnavalesco brasileiro, o Bloco “Passeio Pelo Tempo” segue firme como um guardião da memória afetiva de Paracatu, no Noroeste de Minas. Criado em 2010, inspirado no livro homônimo da escritora Benedita dos Reis Soares Costa, o bloco nasceu com uma missão clara: resgatar o carnaval de outrora e devolver às ruas as marchinhas que embalaram gerações.

Em 2026, ao completar 16 anos de história, o bloco reafirma seu compromisso com a tradição e presta homenagem a um nome que ecoa como acorde firme na memória da cidade: o paracatuense Luiz Darilo, cuja sanfona se tornou símbolo de resistência cultural. Darilo foi um dos responsáveis por manter viva a chama da música popular local e criou a Sociedade Operária Paracatuense, fortalecendo laços comunitários por meio da arte e da organização social.

A concentração deste ano aconteceu no tradicional Bar Saca Rolha, no bairro Santana, ponto de encontro onde risos, confetes e reencontros se misturaram sob o calor de fevereiro. Ali, antes mesmo do primeiro acorde, já se percebia que o “Passeio” não é apenas um bloco: é um reencontro com o tempo.

Silvano Avelar, membro da Academia de Letras do Noroeste de Minas, intérprete e coordenador do bloco, escreveu a letra-tema de 2026, Saca, saca, saca rolha. Suas composições autorais dialogam com os antigos que atravessaram décadas, costurando passado e presente numa mesma melodia. Ao cantar, Silvano não apenas interpreta: ele narra, revive e reinscreve Paracatu na partitura da própria história.

O ambiente é familiar, alegre e cultural, um espaço onde crianças aprendem as letras antigas com os avós, onde fantasias simples carregam significados profundos e onde cada verso entoado é também um ato de preservação. Em tempos de transformações aceleradas, o bloco se consolida como iniciativa essencial para manter viva a memória carnavalesca da região.

O “Passeio Pelo Tempo” não é apenas uma homenagem ao passado. É um gesto coletivo de resistência, uma afirmação de identidade e um lembrete de que tradição não é imobilidade, é continuidade. Ao celebrar 16 anos, o bloco reafirma que o verdadeiro carnaval não se mede apenas pelo volume do som, mas pela força das lembranças que ele desperta.

E assim, entre sanfonas, marchinhas e abraços, Paracatu segue dançando com a própria história.

 

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