Banco Vermelho gigante é instalado na Praça Firmina Santana 

 Banco Vermelho gigante é instalado na Praça Firmina Santana 

      Um símbolo que ocupa o espaço urbano para lembrar, alertar e salvar vidas

Na tarde luminosa desta segunda-feira, 26 de janeiro, quando o céu azul parecia testemunhar cada gesto e o sol se punha devagarinho, Paracatu escreveu uma página significativa em sua história de luta pelos direitos das mulheres. Na Praça Firmina Santana, ponto de encontro e convivência da cidade, foi inaugurado o primeiro Banco Vermelho gigante de Minas Gerais, um marco visível, intenso e impossível de ignorar.

Com dois metros de altura e uma cor que grita por atenção, o Banco Vermelho não convida apenas ao descanso: convoca à reflexão. Ele surge como um alerta permanente contra a violência doméstica e o feminicídio, lembrando que, por trás de números e estatísticas, existem vidas interrompidas, sonhos silenciados e histórias que não puderam continuar.

A solenidade reuniu autoridades e representantes de instituições comprometidas com a causa. Estiveram presentes o prefeito Igor Santos; a secretária municipal da Mulher, Igualdade Racial e Juventude, Maria José Brandão; a presidente do Instituto Banco Vermelho, Andréa Rodrigues; a vereadora e presidente do Conselho da Mulher, Sara Diniz; a presidente do Conselho da Mulher, Jenifer Blat; e a delegada da Mulher, Luciene Akemi. A união de vozes e olhares reforçou o caráter coletivo da iniciativa: o enfrentamento à violência contra a mulher é responsabilidade de toda a sociedade.

Instalado em um espaço de grande circulação popular, o Banco Vermelho cumpre também um papel educativo e informativo. No local, a população encontra orientações sobre a violência contra a mulher e a divulgação do número 180, Central de Atendimento à Mulher, canal gratuito e sigiloso para denúncias e acolhimento. O equipamento transforma o espaço urbano em instrumento de memória, conscientização e mobilização social contínua.

A campanha do Banco Vermelho, originada na Itália e instituída no Brasil pela Lei nº 14.942/2024, tem se espalhado por municípios e órgãos públicos entre 2025 e 2026, alcançando locais como o Tribunal de Justiça da Bahia, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, o Senado Federal e a Justiça Federal. Cada instalação carrega o mesmo significado: alertar, proteger e preservar vidas.

Durante o evento, a secretária Maria José Brandão destacou o simbolismo da ação, lembrando que o banco representa as vozes de mulheres que ainda permanecem silenciadas. “É um chamado à escuta, ao apoio e à ação efetiva”, afirmou. Já Andréa Rodrigues, presidente do Instituto Banco Vermelho, chamou atenção para a gravidade dos dados no país e reforçou a urgência da iniciativa: “O banco é gigante porque a causa também é. Em 2025, o Brasil registrou uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. Esses números precisam ser conhecidos para que possam ser transformados”.

A vereadora Sara Diniz ressaltou o impacto da ação como ferramenta educativa e de cidadania. Para ela, o Banco Vermelho é um convite à responsabilidade coletiva e à construção de uma sociedade baseada no respeito e na vida. A presidente do Conselho da Mulher, Jenifer Blat reforçou que o projeto também precisa se aproximar dos homens, destacando a importância da conscientização masculina no enfrentamento à violência. O prefeito Igor Santos enfatizou a escolha da Praça Firmina Santana como estratégica, por se tratar de um espaço popular e de convivência diária, ampliando o alcance da mensagem. Já a delegada Luciene Akemi definiu o banco como um apelo urgente à reflexão e ao combate a todas as formas de violência contra a mulher.

Agora, quem passa pela praça não vê apenas um objeto urbano diferente. Vê um lembrete constante de que a violência não pode ser naturalizada, de que o silêncio mata e de que a informação salva. O Banco Vermelho permanece ali, firme e visível, como memória das que se foram e como esperança concreta de um futuro em que nenhuma mulher precise temer por existir.

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O Lábaro

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