Guardiãs do Tempo: Paracatu homenageia mulheres centenárias que atravessaram gerações
Retratos de longevidade, força e memória celebram mulheres que transformaram mais de um século de vida em legado
Há tardes que parecem comuns no calendário, mas que se transformam em páginas vivas da história. Nesta quinta-feira (12), em Paracatu, o tempo ganhou rosto, memória e emoção com a abertura da exposição “Mulheres Centenárias”, uma homenagem sensível e histórica às mulheres que atravessaram mais de um século de vida.
Promovida pela Prefeitura Municipal, por meio da Fundação Casa de Cultura de Paracatu, a exposição fotográfica reúne histórias de mulheres que ultrapassaram a marca dos 100 anos, verdadeiras testemunhas de transformações sociais, familiares e culturais da região.
Juntas, elas somam mais de 800 anos de vida, um patrimônio humano construído com trabalho, fé, dedicação à família e profunda ligação com a terra e com a comunidade.
Fotos para a exposição – Douglas Fernandes
Entre as homenageadas está Irtes da Silva Braga, de 101 anos. Paracatuense, mãe de seis filhos, avó de 24 netos e
bisavó de 15 bisnetos, dedicou a vida ao trabalho rural e à arte com barro, moldando com as mãos tanto a matéria quanto a própria história.
Aos 104 anos, Feliciana José de Souza, carinhosamente conhecida como “Dona Boa”, nasceu em Santo Antônio do Rio Verde, em Goiás, e construiu uma grande família: nove filhos, 12 netos, 10 bisnetos e três tataranetos.
Também integra a exposição Doralice Andrade Neiva, a Dona Dora, com 103 anos. Paracatuense, viúva, mãe de duas filhas naturais e uma de criação, ela representa a força das famílias formadas não apenas pelo sangue, mas pelo afeto.
Aos 100 anos, Joana Mendes Sousa, natural de João Pinheiro, deixa como legado uma extensa descendência: 14 filhos, 16 netos e 11 bisnetos.
Outra história marcada pela longevidade é a de Júlia Gonçalves Noronha, de 101 anos, paracatuense, mãe de sete filhos, avó de 32 netos, bisavó de 30 bisnetos e tataravó de três.
Entre as homenageadas está também Maria Maciel da Silva, a Dona Sália, com 103 anos, que dedicou parte de sua trajetória ao serviço público como auxiliar escolar na rede estadual.
A centenária Maria Antônia Gonçalves Teixeira, conhecida como “Dona BemBem”, chegou aos 100 anos após uma vida de trabalho como dona de casa, no garimpo e na produção rural.
Completa o grupo Maria da Conceição Pinto Rabelo, a Dona Conceição, de 103 anos, professora de costura e produtora rural, cuja história se entrelaça com a formação de gerações que aprenderam com suas mãos e ensinamentos.
Cada fotografia da exposição é mais do que um retrato. É um fragmento de século, uma memória preservada, um testemunho de mulheres que viveram intensamente e ajudaram a construir a identidade de Paracatu.
A abertura contou com a presença do prefeito Igor Santos, do vice-prefeito Pedro Adjuto, do secretário de Turismo Igor Diniz, do secretário de Cultura Thiago Venâncio e da presidente da Fundação Casa de Cultura de Paracatu, Vera Lemos.
Mais do que uma exposição, o evento se transformou em um encontro entre passado e presente, um gesto de reconhecimento a mulheres que carregam, em cada ruga e em cada lembrança, a história viva de uma cidade inteira.





























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