29 de janeiro: Dia Nacional da Visibilidade Trans ressalta urgência da luta contra a violência letal no Brasil
Neste 29 de janeiro, marcado pelo Dia Nacional da Visibilidade Trans, o Brasil se depara não apenas com a celebração da identidade e resistência, mas também com dados alarmantes que revelam a persistência da violência mortal contra pessoas trans e travestis no país.
Segundo o mais recente relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o Brasil manteve em 2025 a liderança mundial no número de assassinatos de pessoas trans e travestis, com 80 homicídios registrados, embora representem queda em relação aos anos anteriores, cerca de 34% a menos do que os 122 assassinatos relatados em 2024. Essa posição, que já dura quase 18 anos, indica que o país segue sendo o local mais letal para essa população no mundo.
Os dados mostram que, apesar de uma redução em termos absolutos, a violência continua profundamente enraizada. Em 2024, 122 pessoas trans e travestis foram assassinadas, um número que permanece próximo à média histórica e demonstra que a ameaça à vida dessa população não diminuiu de forma significativa.
Anteriormente, em 2023, o Brasil registrou 145 assassinatos de pessoas trans, um aumento de cerca de 10,7% em comparação com 2022, evidenciando um ciclo contínuo de violência extrema contra travestis e mulheres trans.
A distribuição desses crimes no território nacional também expõe desigualdades regionais. Em 2025, por exemplo, os estados de Ceará e Minas Gerais lideraram os registros, com oito mortes cada, e a violência se concentrou majoritariamente no Nordeste, responsável por quase metade dos casos, seguida pelo Sudeste e Centro-Oeste.
A prevalência de homicídios contra pessoas trans e travestis está conectada a fatores como exclusão social, racismo, precariedade no acesso à educação e trabalho formal, além de falta de políticas públicas estruturadas. Organizações de direitos humanos ressaltam que esses números estão sujeitos a subnotificação, já que muitos casos não são adequadamente registrados ou classificados pelas autoridades estatais.
Os dados lançados em um dia de visibilidade reafirmam a urgência de políticas públicas integradas, educação antidiscriminatória e mecanismos efetivos de proteção para garantir que o direito à vida e à segurança dessa população seja respeitado.
Referências
- Agência Brasil / EBC — Brasil é o país que mais mata pessoas trans e travestis em 2025, com 80 assassinatos registrados.
- MercoPress / Antra — Brasil permanece líder mundial em assassinatos de pessoas trans apesar da queda em 2025.
- Agência Aids — Número de assassinatos de pessoas trans e travestis no Brasil cai em 2024, mas dados ainda preocupam.
- Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) / PCdoB — Brasil registrou 145 assassinatos de pessoas trans em 2023.
- Agência Aids — Distribuição geográfica dos assassinatos em 2025, com destaque para Ceará e Minas Gerais.

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