Minerais críticos: IBRAM quer que Conselho priorize instrumentos de incentivos e de fomento
Brasília, 05/11/2026 – O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) defende que a regulamentação da Lei nº 15.506/2026, que instituiu a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), priorize os estímulos fiscais e creditícios ao setor mineral para que a lei resulte efetivamente na expansão sustentável da produção e da industrialização dessas substâncias no país.
A manifestação ocorre logo após o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) se reunir no Palácio do Planalto, na tarde desta 5ª feira, 05/11. Na pauta do encontro, os integrantes do conselho debateram temas como regimento interno do órgão e a lista de minérios que são considerados críticos e os que são estratégicos para o país. O IBRAM foi representado na reunião por Julio Nery, diretor de Assuntos Minerários e Sustentabilidade.
Minerais críticos são recursos necessários a setores essenciais da economia, cujo abastecimento seja insuficiente, instável ou vulnerável. Minerais estratégicos são recursos relevantes para o Brasil em razão de reservas significativas e essenciais à geração de saldo positivo na balança comercial, ao desenvolvimento tecnológico ou regional, ou à redução das emissões de gases de efeito estufa na própria cadeia produtiva.
Principais pontos defendidos pelo IBRAM para a PNMCE
Na reunião do CIMCE, o governo federal anunciou que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) vai apresentar ao conselho um Plano Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, composto por uma “Proposta de Cadeias Produtivas Prioritárias” e por “Estratégias de fomento, financiamento e regulação das cadeias produtivas prioritárias, por etapa da cadeia produtiva”. A próxima reunião do CIMCE deverá ser realizada no dia 20 de novembro.
O IBRAM propõe alinhar a esse plano do governo algumas prioridades:
Licenciamento Ambiental– projetos estratégicos para o desenvolvimento nacional requerem rapidez na análise. Não devem ter, portanto, o mesmo tratamento do que qualquer outra atividade. O objetivo é conferir maior previsibilidade jurídica e agilizar os trâmites burocráticos sem flexibilizar o rigor técnico das avaliações de impacto ambiental.
Fundo Garantidor da Atividade Mineral – o fundo tem como objetivo oferecer garantias para empreendimentos e atividades ligados à produção de minerais críticos e estratégicos. O IBRAM aponta que a falta de instrumentos adequados para financiar projetos antes do início da produção é um gargalo histórico do setor. A expectativa é que o fundo, em conjunto com outras iniciativas, estimule o financiamento e o investimento nacionais na mineração e contribua para reduzir a dependência de capital externo.
Leilões de Áreas– o IBRAM defende que a Agência Nacional de Mineração (ANM) retome os procedimentos para disponibilizar áreas e reduza o estoque sob sua gestão, já que se estima que mais de 100 mil áreas aguardam essas rodadas, e o último leilão ocorreu em 2024. O objetivo é estimular investimentos em pesquisa mineral, a descoberta de novas jazidas e o desenvolvimento de projetos de minerais críticos e estratégicos.
O IBRAM espera que o CIMCE estabeleça regras claras, previsíveis e baseadas em dados reais de mercado. Esses requisitos são fundamentais para dar segurança jurídica às empresas, atrair investimentos e assegurar a competitividade do setor. A competição no setor mineral ocorre não somente entre empresas, mas principalmente entre territórios/ países. Atualmente, o Brasil disputa por investimentos, tecnologias e acesso a mercados com diversos outros países para transformar seu potencial mineral em realidade, alerta o Instituto.
Veja a lista de minerais críticos e estratégicos divulgada pelo governo: Distribuição dos minerais em classes
Classe I — Prioridade alta – Atuação prioritária do Estado em razão de sua elevada
relevância para os interesses nacionais e da intensidade dos riscos ou das oportunidades estratégicas:
Terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio
Classe II — Prioridade média – Substâncias cuja relevância justifique medidas de desenvolvimento, redução de vulnerabilidades ou fortalecimento de cadeias produtivas :
Tungstênio, cromo, vanádio, tântalo, titânio, fosfato, potássio e enxofre.
Classe III — Prioridade baixa – Substâncias cuja relevância justifique monitoramento estratégico e reavaliação periódica:
Nióbio, estanho, ferro, zinco, ouro, magnésio, molibdênio, tório, alumínio e metais do grupo da platina.
Fonte: Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE)

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