Paracatu celebra 228 anos de história, cultura e participação popular
Desfile reuniu forças de segurança, escolas, fanfarras, grupos culturais e comitivas, enquanto três noites de shows movimentaram a cidade com música e celebração.
Paracatu comemorou seus 228 anos de história com uma programação que reuniu civismo, cultura, educação, tradição e participação popular. O desfile comemorativo levou à avenida instituições, estudantes, fanfarras, grupos culturais, representantes das forças de segurança e comitivas, em uma homenagem à cidade, à sua memória e às pessoas que ajudam a construir seu futuro. As apresentações movimentaram a cidade e reuniram uma multidão entre os canteiros e as calçadas da Avenida Olegário Maciel.
A programação festiva, realizada durante os três dias que antecederam o aniversário, também contou com shows de Anderson Freire, Ramon & Rafael e Eduardo Costa. O evento contou com a presença do prefeito Pedro Adjuto, da primeira-dama Paulynne Lima, do ex-prefeito e atual deputado federal Igor Santos e do presidente da Câmara Municipal, vereador Manoel Alves, além de moradores e visitantes que participaram das comemorações.
Civismo e compromisso com a comunidade
O desfile teve início com a participação das forças de segurança e dos serviços de proteção, que representam o trabalho diário de cuidado com a população. Estiveram presentes o 45º Batalhão de Polícia Militar, o 2º Pelotão de Polícia Militar de Meio Ambiente de Paracatu, a Polícia Militar Rodoviária, a Polícia Civil de Minas Gerais, o 4º Pelotão do Corpo de Bombeiros, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Penal, a Defesa Civil e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Também participaram guardas civis municipais de cidades da região, entre elas Cristalina (GO) e Luziânia (GO), reforçando a integração entre instituições e municípios.
O desfile abriu espaço ainda para grupos que preservam tradições e cultivam o espírito de união. Motoclubes, como Aventureiros do Asfalto, Bodes do Asfalto, Bielas de Ouro e Insanos, passaram pela avenida, assim como o Fusca Clube de Paracatu e o Clube de Automóveis Antigos de Paracatu. Veículos e motocicletas também contam histórias de amizade, convivência e paixão compartilhada.
A presença do Tiro de Guerra 04-044 destacou a formação de reservistas e os valores de disciplina, respeito e cidadania. Porta-bandeiras com uniformes históricos dos pracinhas brasileiros que lutaram na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, em 1945, lembraram a participação do Brasil no conflito. Representações de diferentes tropas do Exército e a Associação de Veteranos e Atiradores de Paracatu também fizeram parte da apresentação.
A juventude esteve representada pela Guarda Mirim, pelo Grupo Escoteiro Paracatu, que celebra 30 anos, e por organizações como a Ordem DeMolay, o Castelo dos Escudeiros, as Abelhinhas e as Filhas de Jó. A Escola Cívico-Militar e o Grupamento de Brigadistas também integraram o desfile, mostrando diferentes formas de participação, aprendizado e serviço à comunidade.
Escolas levam à avenida a cidade que amam
As escolas deram ao desfile um dos momentos mais expressivos da celebração. Com cartazes, alegorias, apresentações e fanfarras, estudantes transformaram a avenida em um espaço de homenagem à cidade e de reflexão sobre o futuro.
A proposta “Paracatu 228 anos: A cidade que a gente ama” conduziu parte das apresentações, com mensagens de afeto, memória e pertencimento. A ala “Cartas de Amor por Paracatu” e outras representações destacaram a relação entre os moradores e a terra onde vivem.
As fanfarras das escolas estaduais Delano Brochado, Olindina Loureiro, Afonso Roquete, Altina de Paula, Antônio Carlos e Virgílio de Melo Franco, além das fanfarras das escolas municipais Professora Maria Trindade Rodrigues da comunidade Lagoa de Santo Antonio e Joaquim Adjuto Botelho, da APAE e de instituições particulares, deram ritmo e movimento à programação.
A inclusão ganhou espaço com a Fanfarra da APAE, enquanto alas como “Araras-canindé”, “Metamorfose da Educação” e “Colmeia Protetora da Infância” abordaram temas relacionados à natureza, à transformação por meio do ensino e à proteção das crianças, inclusive no ambiente digital.
O cuidado com a saúde também esteve presente. As alas “Hora da Saúde” e “Saúde da Mulher e do Homem” chamaram a atenção para a prevenção, os exames, a alimentação equilibrada, a atividade física e a importância do autocuidado.
O esporte foi lembrado como instrumento de educação, inclusão, disciplina e convivência. A participação do projeto AABB Comunidade reforçou a importância de iniciativas que unem esporte, aprendizagem e desenvolvimento social.
A Unimontes também foi representada, destacando o papel do ensino superior, da pesquisa e da extensão na formação de pessoas e na transformação da sociedade.
Cerrado, patrimônio e sabores de Paracatu
A natureza e o patrimônio histórico apareceram em diferentes momentos do desfile. As alas “Riquezas do Cerrado” e “Paisagens de Paracatu” valorizaram a fauna, a flora, as águas, as cachoeiras, as grutas, os campos e as paisagens que compõem a identidade regional. O recado foi claro: preservar o ambiente é também cuidar da história e do futuro da cidade.
O patrimônio arquitetônico ganhou destaque na ala “Janelas que Contam História”, que lembrou os casarões, as fachadas e as janelas coloniais que fazem parte do conjunto histórico de Paracatu. A Igreja de Santana também foi representada em carro alegórico, ressaltando a importância da preservação dos espaços que atravessam gerações.
A história da educação e da literatura foi lembrada com uma homenagem à Escola Estadual Afonso Arinos e ao escritor paracatuense que dá nome à instituição. O desfile também destacou o Museu Histórico Municipal Pedro Salazar Moscoso da Veiga, espaço de preservação da memória local, com referências aos povos originários, às comunidades quilombolas, à economia, ao esporte e à formação regional.
A comunicação ganhou voz na ala “Vozes de Paracatu”, que reconheceu o trabalho de locutores, radialistas, apresentadores e profissionais que levam informação à população por diferentes meios, incluindo televisão e redes sociais.
A gastronomia, por sua vez, trouxe à avenida um dos aspectos mais afetivos da cultura local. As alas “Sabores da Nossa Terra” e “Pão de Queijo Combina com…” valorizaram receitas, quitandas e o trabalho das quitandeiras, reconhecendo a comida como parte da memória e do patrimônio cultural de Paracatu.
Até as fases da Lua encontraram lugar na programação, usadas como símbolo dos ciclos e das transformações vividas pela cidade ao longo do tempo.
Cultura, ancestralidade e diversidade
A cultura popular também teve lugar de destaque. A Caretada de Paracatu, manifestação de raízes afro-brasileiras, levou cores, ritmos e ancestralidade à avenida. Mantida viva pela comunidade, a tradição representa a força da memória coletiva e a importância de transmitir os saberes entre gerações.
A Sociedade Corporação Musical Lyra Paracatuense, fundada em 28 de outubro de 1961, em Paracatu (MG), pelo maestro e clarinetista José Gonçalves de Araújo, também marcou presença no desfile. Com sua trajetória dedicada à música, a corporação representa a força da cultura local e a importância de preservar uma tradição que atravessa gerações, e diferentes grupos escolares contribuíram para a diversidade das apresentações. A participação das fanfarras do Colégio SOMA, do Colégio Atenas, do Centro Municipal de Educação Coraci Meireles, do Colégio Dom Elizeu e do Colégio Império ampliou a presença da música no desfile.
A ala “Cruzadinha de Paracatu” destacou características e adjetivos ligados à cidade, enquanto “Brasilidades” celebrou a diversidade de sotaques, ritmos, costumes e sabores que formam a identidade brasileira.
O festival cultural, representado por uma ala e um carro alegórico, lembrou a importância dos encontros artísticos que movimentam a cidade e aproximam moradores e visitantes. Já a proposta “Desconectar para Conectar” convidou à reflexão sobre o uso da tecnologia e a necessidade de valorizar a convivência e a presença humana.
A valorização das mulheres também esteve representada na ala “Quando uma Cresce, Todas Crescem”, com uma mensagem de apoio mútuo, oportunidades e justiça. A proposta lembrou que uma sociedade mais justa se constrói quando todas as pessoas têm condições de participar e desenvolver suas capacidades.
Raízes que seguem vivas
A ala “Raízes e Identidade” reuniu referências à ancestralidade, aos costumes, às festas, à culinária e às tradições que atravessam os 228 anos de Paracatu. Em outra representação, “Viver Paracatu — Esporte”, o desfile reforçou a relação entre atividade física, saúde, educação e inclusão.
As comitivas encerraram a programação com a presença da cultura rural e tropeira. A equipe Celeiros Texas Country, criada em 2021, reuniu cavaleiros e amazonas de diferentes idades, valorizando a integração e a tradição country. A Comitiva Sol Nascente trouxe referências à vida no campo e à cultura tropeira. Também participou uma comitiva ligada à Agropel, com cavaleiros em homenagem aos produtores rurais.
A presença desses grupos lembrou que a identidade de Paracatu também se encontra nas fazendas, no trabalho do campo, nas relações comunitárias e nos costumes que continuam passando de uma geração para outra.
Ao longo do desfile, diferentes gerações, instituições e expressões culturais ocuparam a avenida. Cada apresentação trouxe um pedaço da cidade: sua história, suas paisagens, sua música, sua educação, suas tradições e os desafios que fazem parte do presente.
Celebrar 228 anos é reconhecer o caminho percorrido, mas também refletir sobre o que ainda precisa ser construído. Entre a memória dos antigos casarões e os sonhos das crianças que desfilaram, Paracatu reafirmou que sua história não está apenas nos livros ou nos monumentos. Ela permanece viva nas pessoas, nos saberes compartilhados e na participação de uma comunidade que segue escrevendo os próximos capítulos de sua trajetória.





























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