A força dos pequenos tem muitas faces
Quem olha para a economia brasileira pelos grandes números encontra uma constatação difícil de ignorar: somos um país de pequenos negócios. São cerca de 24 milhões de empresas, que representam 95% dos empreendimentos ativos e respondem por 26,5% do Produto Interno Bruto nacional. Em 2025, as micro e pequenas empresas também foram responsáveis por cerca de 80% do saldo de empregos formais gerados no país.
São números expressivos. Mas eles, sozinhos, não contam toda a história. Por trás de cada CNPJ existe alguém tomando decisões todos os dias: vendendo, negociando, administrando pessoas, controlando custos, lidando com clientes e tentando acompanhar um mercado que muda cada vez mais rápido.
É essa dimensão humana que o Sebrae Minas buscou conhecer melhor com a pesquisa inédita Faces do Empreendedorismo, divulgada por ocasião do Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, celebrado em 5 de outubro. O estudo ouviu 1.701 donos de microempresas e empresas de pequeno porte e identificou sete perfis: Adaptativo, de Alta Performance, em Desenvolvimento, em Recuperação, Estruturado, Experiente e Influente.
A pesquisa analisou competências como inteligência emocional, inovação, gestão, vendas, comprometimento e capacidade de persuasão, além de características dos empreendedores e de suas empresas. E uma conclusão importante emerge dessa análise: não existe uma única maneira de empreender.
Há quem esteja estruturando a gestão e quem acumule mais de 15 anos de experiência. Há empresas preocupadas em sobreviver e outras em plena expansão. Alguns empreendedores têm na organização sua principal força; outros se destacam pela inovação, pela experiência ou pela capacidade de relacionamento.
Os dados ajudam a dar rosto a essas diferenças. Entre os Adaptativos, por exemplo, 72,8% são mulheres, e o grupo apresenta alta escolaridade e forte inclinação à inovação. Entre os empreendedores de Alta Performance predominam negócios consolidados e pessoas com longa experiência. Os Estruturados se destacam pela organização financeira, padronização e digitalização de processos. Já os Influentes têm na comunicação e na articulação algumas de suas principais características.
Ao mesmo tempo, há empreendedores em recuperação, com pouca estrutura gerencial, baixo uso de tecnologia e pressionados pela sobrevivência do negócio. Essa diversidade ajuda a desmontar uma ideia ainda comum: a de que empreender depende simplesmente de coragem ou de uma vocação especial. Coragem ajuda, claro. Mas empresa nenhuma sobrevive apenas de coragem. Gestão, planejamento, inovação, vendas e inteligência emocional são competências que podem e devem ser desenvolvidas.
Essa constatação também traz uma responsabilidade para o Sebrae. Se os empreendedores são diferentes, nosso apoio precisa reconhecer essas diferenças. Quem luta para organizar o fluxo de caixa tem necessidades distintas de quem procura novos mercados. Quem precisa digitalizar processos enfrenta outro desafio em relação a quem já possui uma empresa estruturada e deseja crescer.
Conhecer melhor essas realidades permite oferecer soluções mais adequadas a cada momento da jornada empresarial. E isso importa ainda mais diante do peso dos pequenos negócios na economia mineira. Em julho deste ano, as micro e pequenas empresas abriram 7.936 postos de trabalho em Minas Gerais e responderam por todo o saldo positivo de empregos formais do estado naquele mês.
Os pequenos negócios estão no comércio, na indústria, nos serviços, na construção, no turismo, na tecnologia, na produção de alimentos e no campo. Estão nas grandes cidades e nos pequenos municípios. Quando prosperam, compram de fornecedores, contratam pessoas, movimentam outros negócios, geram renda e criam oportunidades no território onde estão inseridos.
Por isso, celebrar o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa significa também reconhecer que fortalecer os pequenos negócios exige compreender as pessoas que estão à frente deles.
A pesquisa Faces do Empreendedorismo contribui justamente para isso. Em vez de tratar o empreendedor como uma figura genérica, revela pessoas em diferentes momentos de suas trajetórias, com competências, dificuldades e ambições distintas. Esse conhecimento amplia nossa capacidade de oferecer um apoio mais preciso e tomar decisões orientadas por dados.
Os pequenos negócios já são gigantes quando olhamos para os números. Mas sua verdadeira dimensão aparece quando enxergamos as muitas faces por trás deles. São elas que, todos os dias, ajudam a movimentar Minas Gerais.
Marcelo de Souza e Silva
Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas
Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas

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