Fliparacatu 2026 abre as portas do sertão e transforma o Núcleo Histórico em território da literatura

 Fliparacatu 2026 abre as portas do sertão e transforma o Núcleo Histórico em território da literatura

Com o tema “Sertão em nós: meu lugar no mundo”, a 4ª edição do festival reúne cerca de 50 autores, artistas, jornalistas e pensadores em uma programação gratuita que celebra Guimarães Rosa, Milton Santos, a memória e os muitos sentidos de pertencer

Paracatu abriu, nesta quarta-feira (26), as portas para o encontro entre a literatura, a memória e a identidade. Teve início a programação da 4ª edição do Fliparacatu, que segue até domingo (30), ocupando o Núcleo Histórico da cidade e transformando o Largo do Rosário e outros espaços culturais em cenários de encontros, histórias e ideias.

Com o tema “Sertão em nós: meu lugar no mundo”, o festival propõe um olhar para dentro e, ao mesmo tempo, para o mundo. Identidade, pertencimento, memória e os desafios da vida coletiva atravessam a programação, aproximando diferentes vozes e experiências em torno da literatura.

A abertura oficial aconteceu na noite de quarta-feira, no auditório do FliParacatu, e contou com a presença do prefeito Pedro Adjuto, do empreendedor cultural Afonso Borges, de representantes do Ministério da Cultura, da representante da Kinross, Danielle de Paula, da presidente da Academia de Letras do Noroeste de Minas, Dra. Daniela Prado, além de convidados de diferentes cidades brasileiras. Gratuito, o Fliparacatu também amplia suas fronteiras por meio da transmissão da programação pela internet, permitindo que as conversas e histórias que nascem em Paracatu alcancem outros lugares.

Nesta edição, dois grandes nomes ajudam a iluminar o caminho do festival: João Guimarães Rosa e Milton Santos. Rosa é lembrado pelos 70 anos da publicação de Grande sertão: veredas, obra que fez do sertão uma paisagem universal, onde a existência humana se revela em suas contradições, afetos e travessias. Milton Santos, um dos maiores pensadores brasileiros da geografia, inspira reflexões sobre território, sociedade e os diferentes lugares que ocupamos no mundo.

É nesse encontro entre território e literatura que o tema do Fliparacatu ganha força. O sertão deixa de ser apenas uma paisagem distante e passa a ser também espaço interior, memória, origem, identidade e pergunta. Onde é o nosso lugar no mundo? O que carregamos dos lugares de onde viemos? E de que maneira esses lugares ajudam a construir quem somos?

Ao longo dos cinco dias, cerca de 50 escritores, além de jornalistas, artistas, pesquisadores, educadores e pensadores, participam da programação. Entre os nomes confirmados estão Mia Couto, Bruna Lombardi, Cármen Lúcia, Jeferson Tenório, Míriam Leitão, Alê Santos, Eliana Alves Cruz, Cristóvão Tezza, Marcelino Freire, Paulo Scott, Paulliny Tort, Renato Noguera, Rita von Hunty, Sandra Menezes, Noemi Jaffe, Natalia Timerman, Jamil Chade, Bia Bracher, Geni Núñez, Ítalo Moriconi, Nina Santos, Mônica Meyer, Taiane Santi Martins, Fabiana Carneiro, Jeovanna Vieira e Ricardo Ramos Filho, entre outros convidados.

A programação também valoriza a produção cultural de Paracatu e da região. A curadoria local está sob responsabilidade de Daniela Prado, enquanto a curadoria infantojuvenil é conduzida por Rafael Nolli, aproximando o público infantil e jovem da literatura por meio de oficinas, espetáculos, contações de histórias e atividades de formação.

Um primeiro dia de encontros e descobertas

O primeiro dia do Fliparacatu foi marcado por uma programação diversa, capaz de aproximar diferentes gerações da literatura e das manifestações culturais.

Entre as atividades estiveram o espetáculo “Caliandra e o Rio de Histórias”, com Gleici Ribeiro; a oficina “Guarda-Chuva Poético”; o espetáculo “Baú”, com Junior Mattos; e a oficina “Escrevendo emoções: como transformar sentimentos em histórias”, com Clara Sant’Ana.

A memória e a cultura regional também encontraram espaço na programação. O painel “O Sertão Mineiro de Afonso Arinos” reuniu representantes da Academia de Letras do Noroeste de Minas, entre eles Terezinha de Jesus Santana Guimarães, Daniela Prado e Alexandre Gama.

As histórias também ganharam voz com “Margarida de Malas Prontas”, em atividade conduzida por Daniela Prado, enquanto o projeto Tecendo Memórias apresentou ao público a arte de transformar o algodão em fio, demonstrando todo o processo da produção artesanal.

Para as crianças, a programação trouxe ainda a oficina “Macramê: Arte com os Nós”, além do espetáculo “Quase Nada”, do grupo Cênikas, e a contação de histórias “Vó Tereza”, com Terezinha Santana.

A música paracatuense também entrou na roda de conversa com o encontro “A influência roseana na música em Paracatu”, reunindo Silvano Avelar, Isaías Nery Ferreira e Edina Sueli das Dores para refletir sobre as marcas de Guimarães Rosa na criação musical da cidade.

No final da tarde, o público foi presenteado com a belíssima apresentação do Coral Stela Maris, que trouxe música e emoção.

Literatura que atravessa caminhos

À noite, a programação ganhou ainda mais densidade com encontros que colocaram diferentes perspectivas em diálogo. “Escritas e travessias” reuniu Jeferson Tenório e Taiane Santi Martins, com mediação de Calila das Mercês.

Na sequência, “O Futurismo” trouxe para o centro da conversa os imaginários sobre o futuro, com Sérgio Abranches e Alê Santos, mediados por Jamil Chade. Encerrando a noite, “Corpo e Travessia” reuniu Rita von Hunty e Gustavo Ziller, em uma conversa mediada por Marcelino Freire.

Assim, o Fliparacatu segue construindo sua identidade como um festival que não apenas leva a literatura às ruas, mas faz da própria cidade uma página aberta. No Núcleo Histórico, entre pedras, fachadas antigas e histórias guardadas pelo tempo, novas narrativas encontram espaço para nascer.

Ao longo destes cinco dias, Paracatu se torna ponto de encontro. A palavra circula, a memória se movimenta e o sertão, tantas vezes descrito como lugar geográfico, revela também sua dimensão mais íntima: o sertão que cada pessoa carrega dentro de si.

E talvez seja justamente aí que esteja a força do tema desta edição. Porque o lugar no mundo não é apenas aquele que aparece nos mapas. É também aquele que permanece na lembrança, na voz, na literatura, na música e nas histórias que seguimos contando para não esquecer quem somos.

Realizado pela Mentha Cultural, com patrocínio master da Kinross, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e apoio da Prefeitura de Paracatu e da Academia de Letras do Noroeste de Minas, o Fliparacatu reafirma seu compromisso com a diversidade de vozes, o pensamento crítico e a valorização da literatura como ferramenta de transformação social.

Serviço

4.º Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu)
De 26 a 30 de agosto de 2026, de quarta-feira a domingo
Local: Centro Histórico de Paracatu
Entrada gratuita
Programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @fliparacatu

 

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