Escuta, protagonismo e direitos marcam o I Workshop da Mulher Negra em Paracatu
I Workshop da Mulher Negra reúne poder público, lideranças e comunidade em Paracatu para fortalecer o debate sobre igualdade racial, empreendedorismo, cuidado e garantia de direitos
Há encontros que informam. Outros transformam. E há aqueles que deixam sementes capazes de florescer em políticas públicas, consciência coletiva e novos caminhos. Foi com esse propósito que a Prefeitura de Paracatu, por meio da Secretaria Municipal da Mulher, Igualdade Racial e Juventude, promoveu, na tarde desta quinta-feira (6), na Casa Paracatu, o I Workshop da Mulher Negra.
Integrando as ações alusivas ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, o evento reuniu representantes do poder público, conselhos municipais, movimentos sociais, servidoras, lideranças e a comunidade em um espaço de diálogo sobre igualdade racial, valorização da diversidade, enfrentamento ao racismo e fortalecimento do protagonismo das mulheres negras.
Celebrada em 25 de julho, a data tem origem em um marco histórico para a luta das mulheres negras nas Américas. Em 1992, na cidade de Santo Domingo, na República Dominicana, foi realizado o 1º Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas. O encontro fortaleceu a união entre mulheres negras de diferentes países e denunciou o racismo e o machismo que marcam suas trajetórias, não apenas na América Latina e no Caribe, mas em diversas partes do mundo. A mobilização foi tão significativa que, ainda naquele ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu oficialmente o 25 de julho como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, transformando a data em um símbolo de resistência, representatividade e luta por direitos.
Participaram da abertura a secretária municipal da Mulher, Igualdade Racial e Juventude, Maria José Brandão e Magalhães; a vice-presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR) e chefe da Divisão de Igualdade Racial, Rose Bispo; a vereadora e procuradora da Mulher na Câmara Municipal, Claudirene Rodrigues e o superintendente de Segurança Pública e chefe da Guarda Civil Municipal, Willian Amorim.
A programação foi organizada em três painéis temáticos, abordando diferentes desafios e perspectivas da realidade das mulheres negras: “Universidade x Desafios, Mulheres Jovens e Cotistas”, “A Mulher Preta e o Empreendedorismo: Trancistas como Referência” e “Plano de Cuidados”.
Durante a abertura, Maria José destacou que cuidar também é trabalho, embora muitas vezes permaneça invisível. Segundo ela, reconhecer esse papel é essencial para a construção de políticas públicas mais justas e humanas.
“A mulher que cuida da família, que cuida do lar, que cuida da mãe, que cuida do irmão, que cuida de todos muitas vezes não é vista e não é valorizada. Esse trabalho fica muitas vezes invisível aos olhos das pessoas.”
A secretária também anunciou o avanço da construção do Plano Municipal de Cuidados, iniciativa que está na fase de diagnóstico e que prevê atenção especial às mulheres negras.
“Dentro desses cuidados, temos a pauta da mulher, em especial da mulher negra. Já passamos da parte de preparação, estamos no diagnóstico e, depois, passaremos para a construção e o desenho desse plano, para integrar o Plano Municipal de Cuidados.”
Outro destaque do workshop foi o fortalecimento das políticas públicas voltadas à população negra. Rose Bispo ressaltou o papel estratégico do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial e apresentou a proposta de adesão de Paracatu à Casa da Igualdade Racial, projeto que poderá ampliar o acolhimento, o suporte técnico e a defesa dos direitos da população negra.
“Quando a gente fala em mulher, nós somos 53,4% da população de Paracatu. Então é muita gente. Estamos falando de uma população que é muito representativa.”
Segundo Rose, a futura Casa da Igualdade Racial deverá funcionar como um espaço permanente de referência para o enfrentamento ao racismo, acolhimento de denúncias e fortalecimento das comunidades quilombolas e da população negra.
“O papel dessa casa em Paracatu é fazer com que as políticas públicas aconteçam, que a gente possa ter respaldo na denúncia do racismo e do preconceito, além de uma equipe técnica e um espaço onde as comunidades quilombolas e toda a população negra possam ter isso como referência.”
Mais do que uma sequência de palestras, o I Workshop da Mulher Negra consolidou-se como um ambiente de escuta, troca de experiências e construção coletiva. Jovens universitárias, mulheres empreendedoras, lideranças comunitárias e representantes institucionais compartilharam vivências que revelam desafios, mas também a força de quem transforma realidades diariamente.
Ao promover esse encontro, Paracatu reafirma seu compromisso com a promoção da igualdade racial e amplia o debate sobre políticas públicas voltadas à proteção, autonomia e garantia de direitos das mulheres negras. Mais do que celebrar uma data, o município fortalece uma agenda permanente de reconhecimento, inclusão e justiça social, onde a escuta se transforma em ação e o diálogo abre caminhos para uma sociedade mais igualitária.
Reflexão
As grandes transformações começam quando histórias antes silenciadas encontram espaço para serem contadas. Cada voz ouvida, cada experiência compartilhada e cada política construída representam um passo rumo a uma sociedade mais justa. Valorizar as mulheres negras é reconhecer a força de quem ajudou a construir nossa história e continua, todos os dias, semeando futuro. Porque uma cidade que aprende a ouvir suas mulheres também aprende a crescer com mais humanidade, respeito e esperança.








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