Semana Nacional da Agricultura Irrigada encerra programação com demonstração do Laboratório Móvel de Irrigação na Embrapa Cerrados 

 Semana Nacional da Agricultura Irrigada encerra programação com demonstração do Laboratório Móvel de Irrigação na Embrapa Cerrados 

Foto: Juliana Caldas

Demonstração do Laboratório Móvel de Irrigação (LMI)

O papel da irrigação na produção de alimentos, na segurança hídrica e no desenvolvimento sustentável das regiões produtoras está no centro dos debates da 1ª Semana Nacional da Agricultura Irrigada, realizada de 15 a 19 de junho. Promovida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), a iniciativa reúne especialistas, representantes de instituições públicas e do setor produtivo para discutir desafios e oportunidades relacionados ao uso sustentável da água na agricultura.

A programação será encerrada nesta sexta-feira (19), com uma visita à Embrapa Cerrados (Planaltina-DF), onde será realizada uma demonstração de campo do Laboratório Móvel de Irrigação (LMI). Durante a visita, será feita uma aferição do pivô central da Unidade, permitindo aos participantes acompanhar, na prática, o funcionamento dos equipamentos e das metodologias utilizadas para avaliar a eficiência dos sistemas e promover o uso racional da água. O projeto é financiado com recursos da cobrança pelo uso da água na Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba.

O LMI consiste em uma unidade móvel equipada com tecnologias avançadas de medição e diagnóstico, capaz de realizar análises detalhadas de sistemas de irrigação em propriedades rurais. Cada unidade conta com veículos adaptados e equipamentos especializados, como sensores de umidade, medidores de pressão e analisadores hidráulicos, que permitem avaliações precisas da eficiência hídrica e energética dos sistemas. A partir dos diagnósticos, os técnicos elaboram recomendações personalizadas para otimizar o uso da água e melhorar o desempenho operacional das propriedades.

Para mais informações, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=8z_HLRaNPvM

Setor Agropecuário na Gestão da Água

Na terça-feira (16), a Embrapa Cerrados assinou um Protocolo de Intenções para a construção de um Acordo de Cooperação Técnica destinado à ampliação das atividades do LMI no Distrito Federal. A assinatura ocorreu durante o 4º Workshop Setor Agropecuário na Gestão da Água, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) como parte da programação da 1ª Semana Nacional da Agricultura Irrigada.

O documento foi firmado pelo presidente do CBH Paranaíba, João Ricardo Raiser; pelo secretário nacional de Segurança Hídrica do MIDR, Giuseppe Seca; pela coordenadora de Integração da ABHA Gestão de Águas, Sândra Lúcia Vieira; e pelo chefe-geral da Embrapa Cerrados, Jorge Werneck. O público que participou do workshop pôde conhecer o projeto do Laboratório Móvel de Irrigação, montado no estacionamento da sede do Sistema CNA/Senar (foto).

“Algumas visões inadequadas vão no sentido de que a gestão da água e a agricultura, os setores usuários de uma forma geral, são concorrentes. Talvez porque grande parte das questões ou até o funcionamento que se viu historicamente tem sido através dos instrumentos de regulação, que é uma ponta do sistema. O que tem que existir na verdade é uma grande parceria. Precisamos decidir de forma integrada e conjunta como utilizar, proteger e conservar esse recurso. Esse projeto do laboratório marca isso”, afirmou o presidente do CBH Paranaíba, João Ricardo Raiser.

Durante o painel Cenário Climático e Soluções Baseadas na Natureza (SBN) Aplicadas ao Agro, Jorge Werneck destacou que, embora o termo seja relativamente novo, as SBNs reúnem práticas já consolidadas no meio rural, como a conservação do solo, a proteção de nascentes, o manejo sustentável da água e a preservação da biodiversidade.“São soluções inspiradas nos processos naturais e que contribuem para a produção de alimentos, a gestão da água e a manutenção dos serviços ecossistêmicos”, afirmou.

Segundo o pesquisador, a crescente pressão sobre os recursos hídricos torna a agricultura uma peça central nesse debate. Estimativas indicam que, até 2050, 68% da população mundial viverá em áreas urbanas, aumentando a disputa pelo uso da água entre cidades e produção de alimentos. “A cidade depende do campo para garantir o abastecimento de água. Por isso, as áreas rurais precisam ser geridas estrategicamente como sistemas produtores de água”, destacou.

Entre as práticas adotadas em uma fazenda produtora de água estão o terraceamento em áreas inclinadas, o plantio direto, o controle da erosão e do escoamento superficial e a preservação de nascentes. De acordo com Werneck, quando combinadas, essas ações transformam a propriedade em uma infraestrutura hídrica multifuncional, capaz de favorecer a infiltração e a regulação da água no ambiente.

O pesquisador também defendeu mecanismos de remuneração aos produtores rurais pela conservação das áreas de recarga hídrica e pela adoção dessas práticas. Como exemplo, apresentou o Projeto Produtor de Água do Pipiripau, no Distrito Federal, criado em 2008.

No projeto, parte dos recursos arrecadados pela concessionária de abastecimento de água é destinada a produtores que adotam boas práticas em suas propriedades. Segundo Werneck, a iniciativa contribuiu para reduzir conflitos pelo uso da água na bacia hidrográfica, fortalecer a governança local e ampliar a adoção de tecnologias conservacionistas. Entre os resultados, destaca-se uma economia estimada de 135 litros de água por segundo. “O projeto melhorou a relação entre produtores rurais, usuários urbanos e a concessionária de saneamento, além de fortalecer a gestão da bacia hidrográfica”, ressaltou.

Complementando a discussão, o presidente da Comissão Nacional de Irrigação da CNA, Davi Schmidt, destacou que o conceito de Soluções Baseadas na Natureza foi adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2020 e é reconhecido internacionalmente como uma estratégia para enfrentar desafios como mudanças climáticas, segurança alimentar e eventos extremos, ao mesmo tempo em que promove benefícios à biodiversidade e ao bem-estar humano.

Schmidt apresentou o Programa Especial de Proteção de Nascentes, coordenado pelo Sistema CNA/Senar, como uma iniciativa alinhada às SBNs. Lançado em 2015 com a meta de recuperar mil nascentes, o programa já ultrapassou 1.700 áreas atendidas, com ações de cercamento de nascentes, limpeza, conservação do solo e plantio de espécies nativas.

O representante da CNA também destacou os resultados do Plano ABC (2010-2019), política pública voltada à adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono na agropecuária. Entre as práticas incentivadas estavam a fixação biológica de nitrogênio, o plantio direto, a recuperação de pastagens degradadas, os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), as florestas plantadas e o tratamento de dejetos animais. Segundo ele, as metas previstas foram superadas em 115%.

“As metas propostas para a agricultura brasileira são atendidas. As práticas hoje usadas pelos produtores rurais são adequadas para a mitigação das mudanças climáticas. O país é um exemplo em agricultura de baixo carbono”, afirmou.

Schmidt destacou ainda que o setor agropecuário precisa acompanhar a evolução das exigências dos mercados internacionais relacionadas à sustentabilidade e ao uso dos recursos naturais. Segundo ele, temas como segurança hídrica e Soluções Baseadas na Natureza tendem a ganhar cada vez mais relevância nas discussões globais sobre produção de alimentos. “O produtor rural pode ser um agente importante no enfrentamento dos desafios climáticos. Para isso, é fundamental demonstrar como as práticas adotadas nas propriedades atendem às demandas de mercados cada vez mais exigentes”, afirmou.

Sessão especial no Senado

A programação da 1ª Semana Nacional da Agricultura Irrigada começou na segunda-feira (15), com uma sessão especial no Senado Federal em comemoração ao Dia Nacional da Agricultura Irrigada. Na ocasião, o chefe-geral da Embrapa Cerrados, Jorge Werneck, destacou a importância da irrigação para a segurança alimentar, a geração de renda no campo e a sustentabilidade da produção agrícola. Acesse aqui a gravação.

Segundo o pesquisador, a irrigação ainda enfrenta críticas baseadas, muitas vezes, na falta de conhecimento técnico e científico. “Irrigação é bom, e é preciso dizer isso”, afirmou. Ele ressaltou que a tecnologia é essencial para garantir a produção em regiões sujeitas à irregularidade das chuvas e ampliar a produtividade sem a necessidade de expandir áreas agrícolas.

Werneck também defendeu que o debate sobre o uso da água na agricultura seja fundamentado em dados técnicos e reforçou a importância do monitoramento hidrológico, da pesquisa agropecuária e da governança dos recursos hídricos. Entre os exemplos citados estão o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), os estudos sobre disponibilidade hídrica e as iniciativas voltadas à eficiência do uso da água na agricultura.

Ao encerrar sua participação, destacou a necessidade de fortalecer os órgãos gestores de recursos hídricos e reafirmou o compromisso da Embrapa com a geração de conhecimento para apoiar políticas públicas e o desenvolvimento sustentável da agricultura irrigada. “Precisamos avançar na agricultura irrigada de maneira correta, com manejo, gestão e governança adequados para que ela gere benefícios e não conflitos. E a Embrapa está à disposição para contribuir com conhecimento, ciência e parcerias nesse processo”, concluiu.

Juliana Caldas (MTb 4861/DF)
Embrapa Cerrados
Juliana Miura (MTb 4563/DF)
Embrapa Cerrados
Contatos para a imprensa: cerrados.imprensa@embrapa.br
Núcleo de Comunicação Organizacional – NCO

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